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Parecer técnico do Ibama recomenda negar perfuração da Petrobras em Foz do Amazonas, mostra documento

Parecer técnico do Ibama recomenda negar perfuração da Petrobras em Foz do Amazonas, mostra documento

Reuters

28/04/2023

Placeholder - loading - Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 16/10/2019 REUTERS/Sergio Moraes
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 16/10/2019 REUTERS/Sergio Moraes

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um parecer técnico do órgão ambiental Ibama recomendou o indeferimento do pedido de licença da Petrobras para perfurar um poço na Bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá, onde a petroleira deseja abrir uma nova fronteira exploratória, conforme documentos vistos pela Reuters.

O parecer, assinado por diversos analistas ambientais do Ibama, em 20 de abril, recomenda ainda o arquivamento do processo de licenciamento ambiental referente ao bloco onde a Petrobras deseja perfurar, iniciado em 2014, pela então operadora do bloco, a britânica BP.

Em sua conclusão, o parecer técnico do Ibama afirma que após uma série de revisões, permanecem inconsistências no estudo ambiental que subsidia a avaliação da atividade de perfuração no bloco FZA-M-59, que foi leiloado pela reguladora ANP em 2013.

Dentre as inconsistências apontadas, o documento destacou a não revisão de um item que trata de identificação e avaliação dos impactos ambientais.

'Permanecendo, portanto, a constatação de impactos ambientais não previstos no EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e sem medidas mitigadoras elaboradas de forma fundamentada e passíveis de verificação de efevidade', disse o documento, visto pela Reuters.

O parecer cita também 'deficiências significativas do Plano de Proteção à Fauna, integrante do Plano de Emergência Individual do empreendimento'. Menciona ainda a não apresentação de medidas específicas no Plano de Comunicação Social para as comunidades indígenas.

Procurados, Petrobras e Ibama não responderam imediatamente a pedidos de comentários. A notícia foi publicada mais cedo pela Sumaúma.

A Petrobras assumiu o compromisso de explorar o bloco FZA-M-59 em 2020, depois que a BP desistiu do ativo, diante de dificuldades para avançar com o licenciamento ambiental deste bloco e de outros na Bacia da Foz do Rio Amazonas, que tem grande potencial para petróleo, mas também enormes desafios do ponto de vista socioambiental.

Em um outro documento visto pela Reuters, o coordenador de Licenciamento Ambiental de Exploração de Petróleo e Gás Offshore do Ibama, Ivan Werneck Sanchez Bassères, afirmou concordar com a avaliação, dentre outras questões.

Por outro lado, em correspondência endereçada ao presidente do Ibama, na véspera, o atual diretor substituto de Licenciamento do Ibama, Régis Fontana Pinto, sugere que o processo não seja arquivado de imediato, dando a oportunidade para que a Petrobras apresente 'outras melhorias'.

Fontana Pinto cita também a possibilidade de realização de um grande simulado de emergência, para o qual a petroleira se preparou, mas não obteve sinal verde do órgão até o momento.

O diretor substituto de Licenciamento ressaltou ainda que a decisão da abertura ou não de nova fronteira exploratória 'é uma avaliação político-estratégica a ser tratada em arena diversa do licenciamento ambiental, uma vez que, o Ibama é tão somente órgão executor das políticas estabelecidas'.

A Bacia da Foz do Rio Amazonas é parte da Margem Equatorial brasileira, uma ampla área do litoral que vai desde o Rio Grande do Norte ao Amapá. O CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, tem defendido o avanço exploratório na região, para que a empresa busque repor suas reservas.

Segundo dados da ANP, a extensa área tem altíssimo potencial para novas descobertas, a exemplo do sucesso exploratório alcançado nas bacias sedimentares análogas da Guiana, Suriname e Costa Oeste Africana.

A última perfuração de poço exploratório na Margem Equatorial brasileira ocorreu em 2015. Nesse meio tempo, representantes da indústria e do meio ambiente vem discutindo sobre o tratamento que será dado à área.

Reuters

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