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Pedidos de RJ no agro do Brasil sobem 33% no 1º tri e podem bater recorde em 2026, aponta Neot

Pedidos de RJ no agro do Brasil sobem 33% no 1º tri e podem bater recorde em 2026, aponta Neot

Reuters

29/07/2026

Placeholder - loading - Uma colheitadeira é vista colhendo milho em uma fazenda próxima a Brasília, no Brasil, em 22 de agosto de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Uma colheitadeira é vista colhendo milho em uma fazenda próxima a Brasília, no Brasil, em 22 de agosto de 2023. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  29/07/2026

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 29 Jul (Reuters) - Os pedidos de recuperação ​judicial no agronegócio brasileiro somaram 517 no primeiro trimestre, aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado, sinalizando que 2026 pode bater um novo recorde de solicitações, segundo análise divulgada nesta quarta-feira pela Neot.

A companhia de tecnologia especializada em gestão de processos de insolvência e recuperação judicial citou o impacto de quebra de safras, queda de preços de commodities e crédito restrito em meio a juros mais altos.

O volume financeiro 'sob stress' atingiu aproximadamente R$38 bilhões em passivos totais, dos quais R$31,5 bilhões estão concentrados em operações com passivo acima de R$30 milhões, o que indica que o problema não se restringe apenas a pequenos produtores, mas abrange toda a cadeia agroindustrial.

Contudo, mais da metade das solicitações ⁠de RJ envolveram ⁠produtores rurais na área de soja e milho -- ​os dois principais ‌grãos cultivados no Brasil -- e pecuaristas, segundo levantamento da Neot.

Embora o país deva registrar uma safra recorde de soja e milho neste ano, apagando uma máxima histórica obtida em 2025, a produção dos dois grãos havia despencado em 2024 por conta do clima desfavorável, pegando muitos produtores com dívidas. Isso, associado à queda ⁠nos preços pela oferta abundante, colaborou para o aumento dos pedidos de recuperações judiciais no ​agronegócio a patamares nunca vistos em 2025, com quase 2 mil pedidos.

'O principal fator (no caso da soja e milho) ​é justamente a queda acentuada de preços a partir de 2022/23, ‌tornando ainda mais apertado o ​comércio ⁠no setor. O excesso de oferta derrubou os preços', afirmou Julio Moretti, CEO da Neot, à Reuters.

Numa conjuntura de juros altos, a captação de recursos ficou ainda mais difícil, acrescentou o executivo. E, sem grandes recuperações nos preços dos grãos, as margens ​continuaram apertadas, acumulando prejuízos em muitos casos, comentou.

Segundo a companhia, os pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre sugerem que, 'longe de uma normalização, a crise mantém velocidade de expansão significativa, potencialmente direcionando o ano para novo recorde histórico'.

'Caso os sintomas primários (da crise) cessem rapidamente, ainda assim, os efeitos da crise devem perdurar por cerca de dois anos', pontuou ​Moretti.

'Mas para a retomada real da rentabilidade no setor ocorrer nesse período, é necessário que se tenha todo o conjunto de fatores favoráveis: preços internacionais, produção, insumos e ausência de crises climáticas severas.'

Por outro lado, a expectativa de um fenômeno climático El Niño forte em 2026, com eventuais impactos para as lavouras, traz preocupações para a safra 2026/27, disse a Neot. A soja da nova temporada começa a ser plantada em meados de setembro.

OS MAIS IMPACTADOS

Os produtores rurais, pessoa física e jurídica, responderam por 305 pedidos de RJ, seguidos por revendas e distribuidoras de insumos (83 pedidos), impactadas pela inadimplência ​dos produtores, segundo a Neot.

A maior concentração regional de pedidos de recuperação judicial se encontra em importantes produtores de grãos e ‌de gado, como Goiás, com 113 solicitações, e ⁠Mato Grosso, com 98. O Rio Grande do Sul, que sofreu mais com seguidas intempéries climáticas nos últimos anos, registrou 62 pedidos de RJ, seguido por Minas Gerais (56) e Paraná (54).

Completam a lista das solicitações de RJ as agroindústrias ⁠e usinas, que somaram 62 pedidos, decorrentes de alta alavancagem e alto ⁠custo do dinheiro, disse a Neot.

As empresas de logística e ⁠armazenagem, com 41 solicitações ⁠de ​RJ no primeiro trimestre, e indústrias de insumos, com 26, fecham o total de pedidos.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

Reuters

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