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Pelo menos 68 pessoas morrem na Espanha após colisão entre dois trens de alta velocidade

Pelo menos 68 pessoas morrem na Espanha após colisão entre dois trens de alta velocidade

Reuters

28/10/2026

Placeholder - loading - Colisão de dois trens de alta velocidade, em Urda, na Espanha   28 de outubro de 2026     FORTA/Divulgação via REUTERS
Colisão de dois trens de alta velocidade, em Urda, na Espanha 28 de outubro de 2026 FORTA/Divulgação via REUTERS

Atualizada em  28/10/2026

Por David Latona, Guillermo Martinez e Michael Francis Gore

MADRI, 28 ​Out (Reuters) - Pelo menos 68 pessoas morreram na Espanha após colisão entre dois trens de alta velocidade, nesta quarta-feira, e equipes de resgate vasculhavam destroços em busca de mais corpos, no que é o segundo acidente ferroviário com vítimas fatais na Espanha este ano — e o mais letal na Europa desde 2013.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou, em um pronunciamento televisionado feito próximo ao local do acidente, ao sul de Madri, que 'toda a Espanha' está de luto. Por sua vez, o opositor Partido Popular anunciou o cancelamento de todos os seus eventos de campanha previstos para o dia, em meio à corrida eleitoral para o pleito do próximo mês.

Sánchez declarou que a 'terrível tragédia' será investigada e prometeu corrigir eventuais falhas que venham a ser descobertas, acrescentando que as ⁠causas dos dois ⁠acidentes parecem não ter relação entre si.

'Se precisarmos reforçar ​ainda mais ‌a segurança para restabelecer a confiança em nosso sistema ferroviário de alta velocidade, nós o faremos; afinal, é inaceitável para um país como a Espanha sofrer dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano', disse Sánchez.

O ministro dos Transportes espanhol informou que o acidente aconteceu depois que um trem da operadora Renfe recebeu autorização para seguir ⁠viagem, apesar de um sinal vermelho estar ativado — indicando a presença de um trem parado à ​frente na mesma via.

Oscar Puente declarou a jornalistas em Madri que o sinal vermelho foi acionado devido a uma ​falha na comunicação por computador, o que interrompeu o tráfego automaticamente. ‌No entanto, uma decisão equivocada — que ​violou ⁠os protocolos — levou à retomada da circulação do trem da Renfe.

Ambulâncias, veículos de funerárias e helicópteros estavam estacionados ao lado de um dos trens, em um trecho elevado da via, enquanto metal retorcido, painéis quebrados e destroços encontravam-se espalhados por um talude, por onde ​pelo menos três vagões haviam despencado.

O chefe do governo regional de Castilla-La Mancha informou que o número de mortos subiu para 68, enquanto as equipes de resgate continuavam vistoriando vagão por vagão, à procura de outras vítimas.

Passageiros, alguns manchados de sangue ou enfaixados, foram retirados do local ao longo de uma estrada próxima após o acidente — que, segundo a ministra da Saúde ​da Espanha, Mónica García, deixou 80 feridos, 15 deles em estado muito grave, conforme informou ela nas redes sociais.

Salvador Arriza descreveu o caos no vagão em que estava.

'Eu estava bem perto da porta, mas (outros passageiros) estavam quebrando as janelas para conseguir sair. Algumas pessoas praticamente não conseguiam se mover, pois estavam presas entre os assentos', relatou o homem de 62 anos.

CIRCUNSTÂNCIAS ESTÃO SENDO INVESTIGADAS

O acidente — o mais letal na Europa desde a colisão ocorrida em 2013 em Santiago de Compostela, na Espanha, que resultou na morte de 80 pessoas — segue-se a outro ocorrido em janeiro, envolvendo trens de alta velocidade das mesmas operadoras e ​na mesma linha, no qual 46 pessoas morreram.

Naquela ocasião, um trem descarrilou e colidiu com outro que vinha em sentido contrário, perto ‌de Adamuz, na província de Córdoba, o que ⁠gerou um debate sobre o nível de investimento na manutenção da rede ferroviária.

A Renfe informou, em um comunicado divulgado na quarta-feira, que, após receber autorização para prosseguir viagem, seu trem colidiu com uma composição da Iryo que permanecia parada 'por motivos ⁠que desconhecemos'.

'O trem da Renfe seguiu seu trajeto conforme as orientações recebidas, momento em ⁠que ocorreu a colisão. A sequência exata dos fatos, ⁠as condições de tráfego e ⁠as ​circunstâncias do impacto deverão ser apuradas pela investigação', declarou a Renfe.

A Iryo e a administradora ferroviária não responderam aos pedidos de comentário.

Reuters

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