PESQUISA APONTA DISTÂNCIA ENTRE PERCEPÇÃO E CONSUMO DE ULTRAPROCESSADOS
Levantamento aponta diferença entre a percepção das pessoas e os dados nacionais; apenas 9% conseguiram reconhecer corretamente esses produtos em um teste
Bruna Valle
22/10/2026
Muitas pessoas acreditam que mantêm uma alimentação com poucos produtos ultraprocessados, mas nem sempre conseguem identificar o que entra nessa categoria. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos encontrou uma diferença expressiva entre a percepção dos consumidores e os dados disponíveis sobre seus hábitos alimentares.
Os participantes estimaram que apenas 16% do que comem corresponde a alimentos ultraprocessados. Já dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que esses produtos representam cerca de 53% das calorias consumidas diariamente pelos adultos no país. No teste aplicado pelo levantamento, somente 9% dos entrevistados identificaram corretamente os alimentos classificados como ultraprocessados.
A dificuldade está em reconhecer os produtos
O termo “ultraprocessado” costuma ser associado a refrigerantes, salgadinhos e biscoitos industrializados. No entanto, a classificação envolve também a composição e os métodos de fabricação dos alimentos, e não apenas o fato de serem vendidos em embalagens ou passarem por algum tipo de processamento.
Segundo os resultados, metade dos participantes não tinha segurança para diferenciar alimentos processados de ultraprocessados. A confusão pode dificultar escolhas conscientes nas compras, especialmente diante de embalagens que destacam ingredientes naturais, benefícios nutricionais ou propostas de alimentação saudável.

Reconhecer um alimento ultraprocessado exige observar sua composição, e não apenas a aparência
Nem todo alimento processado é igual
Um dos desafios é que o processamento de alimentos abrange situações bastante diferentes. Congelar, pasteurizar ou cozinhar são técnicas que podem ajudar a conservar os produtos, enquanto os ultraprocessados geralmente apresentam formulações industriais com vários ingredientes e aditivos que não costumam ser usados na cozinha doméstica.
Por isso, a presença de uma embalagem ou o fato de um alimento ser industrializado não basta, isoladamente, para determinar sua classificação. A lista de ingredientes e o tipo de formulação oferecem informações mais úteis para compreender o produto.
O levantamento foi realizado pela Talker Research com 2 mil adultos americanos e encomendado pela Amy’s Kitchen.


