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PESQUISA-BC deve manter Selic em 13,75% em uma pausa após a reeleição de Lula

PESQUISA-BC deve manter Selic em 13,75% em uma pausa após a reeleição de Lula

Reuters

02/11/2026

Placeholder - loading - Um painel eletrônico na B3 exibe a atividade do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, Brasil, em 26 de outubro de 2026. REUTERS/Jean Carniel
Um painel eletrônico na B3 exibe a atividade do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, Brasil, em 26 de outubro de 2026. REUTERS/Jean Carniel

Por Gabriel Burin

BUENOS AIRES, 2 Nov (Reuters) - O Banco Central brasileiro provavelmente ​manterá sua taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira, segundo uma pesquisa da Reuters, dando uma pausa na série de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas após a eleição presidencial de outubro.

Os mercados domésticos sofreram um abalo na semana passada depois que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frustrou as esperanças dos investidores de uma solução rápida para os problemas orçamentários do Brasil sob um governo de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro.

Mesmo com a vitória de Lula, a maioria dos analistas esperava inicialmente um sexto corte consecutivo de 25 pontos-base quando a pesquisa foi aberta, em 28 de outubro, já que a intervenção do Tesouro acalmou as turbulências do mercado no início da semana.

Mas a opinião mudou até o encerramento da pesquisa, em 2 de novembro, com uma maioria de 33 dos 48 ⁠analistas pedindo que o ⁠Banco Central mantivesse a taxa Selic em 13,75% em ​4 de ‌novembro, devido às dúvidas sobre os planos fiscais de Lula e à incerteza relacionada à partida repentina de Bolsonaro para os EUA. O real brasileiro perdeu 9% e o índice de ações Bovespa caiu cerca de 19% na semana passada.

Apenas 15 economistas ainda esperavam um corte por parte do Comitê de Política Monetária do Banco Central, conhecido como Copom, nesta quarta-feira.

O Copom vai 'justificar a ⁠manutenção da Selic adicionando essa maior incerteza advinda dos mercados como fator de risco para a inflação”, ​disse Alessandra Ribeiro, diretora de análise macroeconômica da Tendências, acrescentando que eles devem sinalizar que vão 'esperar ainda por um tempo para ​reavaliar uma retomada de queda do ciclo de Selic.

“Acho que vem um pouquinho ‌de 'forward guidance'”, afirmou ela.

O Banco Central ​iniciou ⁠uma campanha de flexibilização gradual da política monetária em janeiro, em resposta a algumas melhorias nas tendências dos preços ao consumidor, combinadas com uma desaceleração econômica.

Mas os formuladores de política monetária têm agido com cautela, mantendo um amplo spread entre o custo dos empréstimos no Brasil e a ​taxa de fundos federais do Banco Central dos Estados Unidos, a fim de apoiar a moeda local e afastar as pressões inflacionárias.

Esse grande diferencial, maior do que o de países vizinhos como o México ou a Argentina, é o motivo pelo qual muitos economistas ainda acreditam que o Banco Central tem margem para realizar outro corte de um quarto de ponto percentual na taxa de juros nesta semana.

'(Haverá) ​mais esses dois cortes nesse ano porque a inflação tem ajudado e o mercado de trabalho também está dando sinal de estagnação”, disse Fernanda Lima, economista-chefe da Barra Peixe Investimentos.

“A economia está desaquecendo mesmo, o que leva você a um patamar de Selic um pouco mais baixo, que ainda assim é muito contracionista.”

Analistas também afirmam que taxas mais baixas são necessárias para reduzir o déficit público geral do Brasil, já que os juros representam atualmente 9% da economia — o nível mais alto desde 2016.

No entanto, a mediana das previsões trimestrais da pesquisa apontou para um nível estável de 13,75%, pelo menos até o segundo trimestre de 2027, quando era esperado outro corte de 25 ​pontos-base.

Isso coincidiu com as expectativas de vários participantes que responderam a uma pergunta separada sobre quando o banco fará o próximo ajuste nas taxas.

Dos ‌32 participantes, oito previram uma redução de um quarto ⁠de ponto percentual em março. Quatro disseram esperar um corte em abril do próximo ano. Outros quatro esperavam um corte em junho. O restante mencionou outros meses.

“A recente onda de vendas de ativos brasileiros provavelmente levará o Copom a permanecer cauteloso e avaliar a evolução ⁠do mercado nas próximas semanas”, escreveram analistas da Oxford Economics em um relatório.

“Embora vejamos ⁠espaço para uma reversão parcial desses movimentos, uma recuperação sustentada dependerá ⁠dos anúncios de política fiscal ⁠de ​Luiz Inácio Lula da Silva e de medidas confiáveis para conter a dívida pública.”

(Reportagem e pesquisa de opinião por Gabriel Burin, em Buenos Aires)

Reuters

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