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    PGR pede ao STF inquérito contra Salles por suposta tentativa de obstruir apreensão de madeira

    Placeholder - loading - Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles 19/05/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
    Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles 19/05/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A Procuradoria-Geral da República pediu nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito criminal para investigar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por suspeita levantada por um delegado da Polícia Federal de que ele tenha atuado para obstruir uma apuração que levou à apreensão recorde de madeira ilegal na região amazônica.

    O inquérito, que precisa da autorização da ministra Cármen Lúcia para tramitar, tem como base a apuração conduzida pelo então superintendente da PF no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, que foi remetida para o STF.

    Saraiva também acusou Salles de favorecer madeireiros e ainda de integrar uma organização criminosa envolvida num esquema de receptação e crimes ambientais. O delegado --um dos mais experientes da corporação-- deixou o cargo da superintendência do órgão no Amazonas em meio ao pedido feito ao Supremo de investigação de Salles.

    A PGR quer investigar no STF o ministro pelos crimes de advocacia administrativa, dificultar a fiscalização ambiental e ainda tentar impedir uma investigação de infração penal que envolva organização criminosa.

    Procurado pela Reuters, o ministro disse, por meio da assessoria da pasta: “Será uma boa oportunidade para esclarecer todos os fatos'.

    COMPARECIMENTO

    No pedido de abertura de inquérito ao STF, a PGR narra que, durante uma investigação preliminar do caso, Salles classificou a então notícia-crime de 'infundada', embora tenha admitido ter se reunido com empresários que estariam envolvidos nas irregularidades.

    O vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, defendeu o aprofundamento das investigações. 'O comparecimento, in loco, da mencionada autoridade, bem como as suas manifestações públicas quanto a uma investigação em curso, são dados exaustivamente documentados pela autoridade policial, com registros fotográficos, a merecer os devidos esclarecimentos', disse.

    O caso da apreensão recorde de madeiras envolvendo Salles já tinha tido repercussão no STF. Há duas semanas, o ministro da Corte Alexandre de Moraes determinou uma operação de busca e apreensão de documentos e materiais eletrônicos em endereços ligados ao ministro do Meio Ambiente e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de janeiro de 2018 até maio deste ano.

    Um dia após esse operação, mas sem citar diretamente o caso, o presidente Jair Bolsonaro fez um desagravo a Salles, chamando o titular do Meio Ambiente de “excepcional ministro”, e se queixando de dificuldades que ele tem tido com “setores aparelhados” do Ministério Público.

    O vice-procurador-geral pede, agora, que toda a investigação que foi determinada por Moraes seja anexada ao pedido encaminhado à ministra Cármen Lúcia. A alegação é de que a investigação de Moraes tem de ser extinta 'em razão da perda de objeto a partir da instauração do inquérito'.

    Entre outras diligências, Jacques de Medeiros quer que o STF autorize a tomada dos depoimentos de Ricardo Salles, produtores rurais e agentes de fiscalização envolvidos no caso.

    Escrito por Reuters

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