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Política para gás está decidida apesar de interesses da Petrobras, diz ministro

Política para gás está decidida apesar de interesses da Petrobras, diz ministro

Reuters

30/06/2023

Placeholder - loading - Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante entrevista coletiva em Brasília 28/02/2023 REUTERS/Adriano Machado
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante entrevista coletiva em Brasília 28/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  30/06/2023

Por Leticia Fucuchima

(Reuters) - O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta sexta-feira que a política nacional para o gás natural está 'decidida', apesar de 'conflito de interesses' com a Petrobras.

Em coletiva de imprensa após o leilão de transmissão, Silveira ressaltou que a diretriz do governo é aumentar a oferta de gás no Brasil para diminuir preços e produzir fertilizantes, insumo necessário para o agronegócio do qual o Brasil é altamente dependente de importações.

Ele afirmou que essa política será implementada com 'mão firme' do governo, que em sua avaliação deve garantir que o interesse público se sobreponha ao interesse 'financeiro e comercial' das petroleiras.

'Vamos fazer o bom debate, com equilíbrio, reconhecendo sempre a natureza jurídica dessas empresas... Mas não vamos admitir que o interesse exclusivo do lucro possa prejudicar a construção de uma sociedade melhor', declarou ele.

Silveira e o CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, têm trocado farpas em torno do gás natural. O ministro acusa a estatal de 'negligenciar' gás ao Brasil, em razão dos elevados níveis de reinjeção do produto nos poços produtores de petróleo.

Já Prates afirma que essa reinjeção é tecnicamente necessária para a produção de petróleo.

Nesta sexta-feira, Silveira afirmou que é natural que as petroleiras, incluindo a Petrobras, tenham seus interesses focados na sua maior vocação, a exploração de óleo.

'As petroleiras tratam, e não é só no Brasil, no mundo inteiro, o gás natural como um subproduto. Só que os países no mundo que têm firmeza estatal, firmeza do poder público, tratam as petroleiras com autoridade para que elas possam respeitar a política pública.'

O governo lançou neste ano o programa 'Gás para Empregar', com o objetivo de elevar a oferta doméstica de gás natural à indústria, principalmente para a produção de fertilizantes. Porém, as diretrizes de como esse programa funcionará ainda não estão totalmente definidas.

LIGHT

Silveira comentou ainda nesta sexta-feira sobre a renovação das concessões de distribuição de energia, dizendo que as diretrizes que serão lançadas deverão 'servir a todos'.

Em relação à Light, ele disse que, em sua avaliação, a empresa usou de um 'subterfúgio' para entrar em recuperação judicial, uma vez que há uma lei que proíbe concessionárias de distribuição de energia de recorrer a esse regime.

'Não foi feito no CNPJ dela, mas na holding... Mas o ministério não foi instado no processo que corre a recuperação judicial. A RJ é discutida em âmbito judicial e não administrativo. Não é uma discussão de mérito do governo.'

O ministro disse ainda que a distribuidora fluminense atravessa um momento de 'anormalidade', mas que, segundo acompanhamento da agência reguladora e do governo, a empresa tem cumprido com os índices de qualidade dos serviços e com suas obrigações setoriais.

'Só admitiremos a adesão (à renovação contratual) das empresas que... estejam com musculatura mínima necessária para prestar os serviços', ponderou.

(Por Letícia Fucuchima)

Reuters

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