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Premiê da Espanha reforça posição contra ataque de EUA e Israel ao Irã apesar das ameaças de Trump

Premiê da Espanha reforça posição contra ataque de EUA e Israel ao Irã apesar das ameaças de Trump

Reuters

04/03/2026

Placeholder - loading - Premiê espanhol Pedro Sánchez faz pronunciamento  4/3/2026    REUTERS/Jon Nazca
Premiê espanhol Pedro Sánchez faz pronunciamento 4/3/2026 REUTERS/Jon Nazca

MADRI, 4 Mar (Reuters) - O primeiro-ministro espanhol, Pedro ​Sánchez, reforçou na quarta-feira sua oposição ao ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, alertando que o conflito corre o risco de desencadear um grande desastre global.

Sánchez respondeu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou cortar relações comerciais com Madri devido à sua posição sobre o conflito e à sua recusa em permitir que aeronaves norte-americanas usassem bases navais e aéreas operadas conjuntamente no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã.

“Não vamos ⁠ser ⁠cúmplices de algo que é ruim ​para o ‌mundo, nem contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente para evitar represálias de alguém”, disse Sánchez em um discurso televisionado à nação.

Sánchez, um dos críticos mais ferrenhos de Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin ⁠Netanyahu, afirmou que os governos existem para melhorar a vida das ​pessoas e criticou os líderes que “usam a névoa da guerra para esconder ​seu fracasso” em casa.

“É assim que começam ‌os grandes desastres ​da humanidade... ⁠Não se pode jogar roleta russa com o destino de milhões de pessoas”, declarou ele.

“NÃO À GUERRA”

As tensões entre os dois aliados da Otan aumentaram depois que ​Sánchez criticou os bombardeios dos EUA e de Israel ao Irã como imprudentes e ilegais, enquanto a maioria das outras nações europeias se absteve de criticar diretamente os ataques.

Israel também criticou Sánchez, acusando-o de “apoiar tiranos” no Irã ​e na Palestina.

O país também se absteve até agora de se envolver em operações defensivas, mesmo com Reino Unido, França e Grécia enviando armamentos para Chipre, que foi atingido por um drone na segunda-feira, e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer autorizando o uso de bases do Reino Unido para ataques defensivos contra Teerã.

Sánchez disse que o mundo não pode resolver seus problemas com conflitos ​e bombas.

“A posição do governo espanhol pode ser resumida em palavras: ‘Não à guerra’”, disse ‌ele, acrescentando que a postura não ⁠era ingênua, mas coerente.

Sánchez destacou os efeitos colaterais negativos da guerra do Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até a alta nos preços ⁠da energia, para argumentar que as consequências desse ⁠ataque ao Irã são igualmente nebulosas ⁠e que não ⁠levariam ​a uma ordem internacional mais justa.

(Reportagem de David Latona, Victoria Waldersee e Emma Pinedo)

Reuters

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