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Produção industrial no Brasil volta a crescer em julho, mas fica abaixo do esperado

Produção industrial no Brasil volta a crescer em julho, mas fica abaixo do esperado

Reuters

02/09/2026

Placeholder - loading - Trabalhadores atuam na linha de produção de carrocerias de ônibus em fábrica da Marcopolo, em Caxias do Sul (RS), Brasil, 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara
Trabalhadores atuam na linha de produção de carrocerias de ônibus em fábrica da Marcopolo, em Caxias do Sul (RS), Brasil, 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara

Atualizada em  02/09/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO ​DE JANEIRO, 2 Set (Reuters) - A produção industrial no Brasil voltou a registrar crescimento da produção em julho depois de dois meses de perdas, mas iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado.

A produção avançou 0,20% em julho em relação ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o melhor resultado para o mês de julho desde 2022 (+1,0%). Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 0,5% na produção.

Mas os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação ⁠na base ⁠anual.

'Não é uma mudança de trajetória, mas ​para de ‌cair. Voltar a subir é algo positivo, mas não recupera as perdas dos dois meses anteriores', disse o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo. 'Os indicadores mais amplos mostram essa perda de intensidade e dinamismo da indústria brasileira nos últimos meses, apesar do crescimento na margem'.

A ⁠indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade ​do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo.

A política monetária restritiva, com a taxa Selic ​atualmente em 14,0%, deve continuar pesando sobre o setor. ‌No segundo trimestre a indústria ​desacelerou o ⁠ritmo de alta a 0,1%, de 1,2% no período anterior, de acordo com os dados do PIB divulgados na terça-feira.

'O que tem travado a indústria é a política monetária restritiva, mesmo com a redução modesta ​dos juros. Isso traz impacto sobre a economia e setor produtivo, causa adiamento de investimentos, de ampliação do parque produtivo e as famílias também adiam o seu consumo, e ainda afeta o endividamento das famílias', completou Macedo.

Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por ​equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%), com as três categorias interrompendo dois meses consecutivos de queda na produção.

Na outra ponta, a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% sobre junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva, com destaque para a produção de minério, segundo o IBGE. Também se destacaram negativamente impressão e reprodução de gravações (-17,2%), produtos diversos (-9,0%), metalurgia (-1,4%), produtos químicos (-0,8%) e celulose, papel e produtos de ​papel (-1,3%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (3,2%), bens de capital (2,4%) e bens de consumo semi e ‌não duráveis (0,5%) apresentaram ganhos, enquanto o segmento ⁠de bens intermediários (-0,2%) assinalou o único resultado negativo em julho.

'O cenário da produção industrial segue delicado, a despeito da alta observada em julho, com os últimos resultados apontando uma inflexão negativa. Com um ⁠ambiente adverso, negativamente afetado pelas elevadas taxas de juros, esperamos que ⁠a produção industrial em particular, e a atividade ⁠em geral, siga moderando ⁠seu ​crescimento no restante do ano', avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

Reuters

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