Cuba começa a restabelecer fornecimento de energia elétrica em Havana após apagão em todo o país
Cuba começa a restabelecer fornecimento de energia elétrica em Havana após apagão em todo o país
Reuters
06/07/2026
Atualizada em 06/07/2026
Por Dave Sherwood
HAVANA, 6 Jul (Reuters) - Cuba começou a restabelecer lentamente o fornecimento de energia nesta segunda-feira, após a rede elétrica nacional do país ter entrado em colapso mais cedo — o mais recente golpe para uma ilha que já sofre com graves escassezes de energia, combustível e medicamentos.
A UNE, operadora da rede elétrica, informou que estava fornecendo eletricidade a alguns serviços essenciais, incluindo hospitais e centros de produção de alimentos, mas, no final da tarde, conseguia atender apenas 1% da demanda da capital, Havana.
As autoridades ainda não informaram o que causou o colapso da rede.
Há meses, Cuba vem sofrendo com quedas de energia que duram horas e, mais recentemente, dias, relacionadas em parte a uma rede elétrica precária e a um bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos, que cortou o abastecimento de combustível da ilha.
A queda de energia em todo o país e a lenta recuperação são mais uma má notícia para os cubanos, já exaustos com os apagões rotativos que tornam impossível para muitos trabalhar ou dormir no calor do verão caribenho.
“Olhe para o meu rosto, ele diz tudo”, disse Ariel Sotelo, um morador de Havana de 57 anos, com os olhos vermelhos, que estava sem eletricidade desde o dia anterior. “Só nos resta sorrir e aguentar, mas não é fácil.”
Quase dois terços do país já estavam sem energia quando a rede elétrica entrou em colapso nesta segunda-feira; assim, muitos dos moradores da ilha, em grande parte sem comunicações e acostumados à falta de eletricidade, mal perceberam a diferença.
Um noticiário de televisão incentivou os poucos sortudos com acesso à eletricidade a espalhar a notícia sobre a falha na rede elétrica do país para amigos e vizinhos que estavam sem energia.
O apagão nacional desta segunda-feira é o oitavo desde outubro de 2025 e o terceiro neste ano.
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu os embarques de combustível da Venezuela para Cuba no início deste ano e também pressionou o México a suspender os embarques, além de ter ameaçado impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo à nação insular.
Os EUA classificaram o governo de Cuba como uma ameaça à segurança nacional e afirmam que tais sanções são necessárias para forçar uma mudança no governo da ilha, um objetivo de longa data da política dos EUA em relação a Cuba.
Cuba, a cerca de 150 km da costa da Flórida, há muito tempo afirma que não representa uma ameaça aos Estados Unidos.
Para a maioria dos cubanos, no entanto, a questão é mais prática do que política.
“O calor, os mosquitos, é simplesmente insuportável”, disse Omar Ortega, 60, de Havana. “Até quando isso vai durar? Sinceramente, não aguentamos mais.”
(Reportagem de Dave Sherwood e Ayose Naranjo, em Havana)
Reuters

