Israel fechará consulado britânico após Reino Unido, França e Canadá proibirem importações de assentamentos
Israel fechará consulado britânico após Reino Unido, França e Canadá proibirem importações de assentamentos
Reuters
08/09/2026
Atualizada em 08/09/2026
Por Alexander Cornwell e Elizabeth Piper e John Irish
LONDRES/TEL AVIV/PARIS, 8 Set (Reuters) - Israel anunciou nesta terça-feira que fechará o consulado britânico em Jerusalém Oriental em resposta aos planos do Reino Unido, da França e do Canadá de bloquear as importações provenientes dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.
O Reino Unido também não participará mais de uma missão de coordenação liderada pelos Estados Unidos para Gaza, e alguns funcionários britânicos e outros cidadãos terão a entrada em Israel proibida, afirmou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar.
“A atitude britânica é moralmente distorcida e constitui uma interferência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral”, disse ele, descrevendo os comentários do ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, como acusações que eram “mentiras ultrajantes”.
O consulado britânico em Jerusalém Oriental é credenciado junto à Autoridade Palestina na Cisjordânia.
Saar disse que havia coordenado a resposta de Israel com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Israel realizará eleições no final de outubro.
MEDIDAS COMERCIAIS
As medidas comerciais propostas pelo Reino Unido, França e Canadá nesta terça-feira são as mais recentes de uma série de ações voltadas contra a política de assentamentos de Israel e ressaltam o crescente isolamento diplomático israelense entre alguns de seus aliados tradicionais.
Um grupo mais amplo de países sinalizou nesta terça-feira que estava preparado para tomar novas medidas em defesa da solução de dois Estados — um Estado palestino coexistindo pacificamente ao lado de Israel. A preocupação está aumentando em relação à expansão dos assentamentos e à violência na Cisjordânia ocupada por Israel.
Miliband afirmou nesta terça-feira que o Reino Unido não poderia mais simplesmente “denunciar” a injustiça e o sofrimento, mas precisava agir para se opor à expansão dos assentamentos, que, segundo ele, ameaçavam a viabilidade de um Estado palestino.
As Nações Unidas, os palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo o direito internacional. Israel contesta isso.
“Sucessivos governos canadenses têm defendido a posição de que a solução de dois Estados é o caminho a seguir para uma paz de longo prazo que também atenda às legítimas preocupações de segurança de Israel. Os assentamentos ilegais na Cisjordânia prejudicam significativamente esses objetivos”, escreveu a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, no X.
Uma reportagem da Reuters publicada nesta terça-feira revelou que o governo de Israel está financiando alguns dos colonos mais radicais da Cisjordânia, que utilizam fazendas-posto-avançado ilegais para expulsar palestinos.
(Reportagem de Sarah Young e Elizabeth Piper, em Londres; Alexander Cornwell, em Tel Aviv; John Irish, em Paris, e Maria Cheng, em Ottawa)
Reuters

