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Reviravolta em disputa eleitoral na Argentina impulsiona mercados e atinge negociações com FMI

Reviravolta em disputa eleitoral na Argentina impulsiona mercados e atinge negociações com FMI

Reuters

26/06/2023

Placeholder - loading - Ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa 23/01/2023 REUTERS/Agustin Marcarian
Ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa 23/01/2023 REUTERS/Agustin Marcarian

Por Walter Bianchi

BUENOS AIRES (Reuters) - A reviravolta na definição dos candidatos à Presidência da Argentina, que teve a coalizão governista peronista boicotando um candidato de esquerda em favor de um ministro da Economia de centro, impulsionou os mercados locais nesta segunda-feira, embora analistas tenham dito que também acrescentou um novo fator às negociações com o FMI.

O bloco peronista União pela Pátria disse na sexta-feira que o ministro da Economia, Sergio Massa, será a única indicação presidencial da coalizão, frustrando a candidatura de um aliado próximo da vice-presidente Cristina Kirchner.

Com outros favoritos da oposição conservadora e da extrema-direita, a decisão significa que o próximo presidente da Argentina, a ser escolhido nas eleições de outubro, provavelmente será mais favorável ao mercado, um impulso para investidores duramente atingidos no país endividado.

'O mercado local pode ver com bons olhos que o cenário eleitoral agora tem candidatos presidenciais moderados, pró-mercado e que conhecem os investidores', disse Javier Timerman, do Adcap Grupo Financiero, alertando que muitos ainda têm dúvidas.

Nesta segunda-feira, os títulos soberanos subiam em média cerca de 4% com as notícias, enquanto o índice S&P Merval saltou no início das negociações.

Os títulos soberanos da Argentina permanecem em território problemático em torno de 30-35 centavos de dólar após anos de reestruturações de dívidas locais e internacionais e um novo acordo de 44 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para substituir um programa fracassado.

O economista da Fundcorp, Roberto Geretto, disse que a candidatura de Massa torna 'menos provável uma ruptura com o FMI ou uma radicalização da política econômica no curto prazo' e sinalizou uma 'perda de poder' para a ala populista da vice-presidente.

Outros analistas, no entanto, disseram que isso poderá adicionar uma dimensão política extra às negociações em andamento entre a Argentina e o FMI para acelerar os desembolsos do credor e facilitar as metas econômicas vinculadas ao acordo. Massa tem liderado as negociações do país na esperança de chegar a um acordo nesta semana.

'É melhor negociar com um ministro do que com um candidato', disse Héctor Torres, ex-representante argentino do FMI.

'É mais previsível que o ministro esteja pronto para cumprir os compromissos do que um candidato, cuja intenção é ganhar as eleições e coloca isso acima de tudo', acrescentou Torres.

Outros disseram que será um ato de equilíbrio complicado para Massa como ministro da Economia e candidato, já que ele luta contra a inflação de 114%, reservas internacionais em queda e a pressão para realizar gastos com níveis de pobreza em torno de 40%.

Reuters

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