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Rússia condena opositor a 11 anos de prisão por comentários contra guerra

Rússia condena opositor a 11 anos de prisão por comentários contra guerra

Reuters

17/08/2026

Placeholder - loading - Lev Shlosberg, membro do partido político Yabloko, em Moscou   3 de abril de 2021   REUTERS/Maxim Shemetov
Lev Shlosberg, membro do partido político Yabloko, em Moscou 3 de abril de 2021 REUTERS/Maxim Shemetov

Atualizada em  17/08/2026

Por Mark Trevelyan

LONDRES, 17 Ago (Reuters) - Um ​membro sênior do partido russo Yabloko foi condenado nesta segunda-feira a 11 anos e um mês em uma colônia penal por criticar a guerra na Ucrânia, que ele descreveu em seu julgamento como uma catástrofe para a Rússia.

Lev Shlosberg, vice-presidente do partido, foi acusado de desacreditar as Forças Armadas russas e de divulgar informações falsas sobre elas.

Em um discurso final perante o tribunal na cidade de Pskov na última sexta-feira, ⁠ele ⁠manteve sua inocência, afirmou ser ​vítima de ‌um julgamento político e reiterou seu apelo por um cessar-fogo na guerra de 4 anos e meio.

O veredicto segue uma decisão de 10 de agosto da Suprema Corte da Rússia ⁠de proibir o Yabloko de participar das eleições parlamentares do ​próximo mês.

O Yabloko, único partido político registrado a pedir o fim ​da guerra, sofre forte pressão das autoridades ‌no período que ​antecede ⁠a eleição, na qual qualquer votação expressiva contra a guerra poderia causar constrangimento ao Kremlin.

Shlosberg usou seu discurso de encerramento para fazer uma crítica ​contundente à guerra.

'As vidas de milhares de pessoas foram interrompidas durante esse período. Mais cedo ou mais tarde, o número exato e completo de mortos — incluindo os nomes — será tornado público, e toda ​a nação estremecerá diante dessa lista de mártires', disse ele, segundo uma transcrição do Mediazona.

'Hoje, os cemitérios em nosso país, incluindo os militares, estão crescendo muito mais rapidamente do que as maternidades, creches e escolas', afirmou.

O veículo de notícias independente Mediazona e o serviço em russo da BBC registraram os nomes de pelo menos 239.354 militares russos mortos, ​com base em registros disponíveis publicamente.

Nem a Rússia nem a Ucrânia divulgam ‌números atualizados de baixas.

Moscou afirma que ⁠luta para enfrentar ameaças à segurança vindas da Otan e da Ucrânia, e para defender os direitos dos falantes de russo ⁠que vivem na Ucrânia. Kiev e seus aliados ⁠ocidentais rejeitam essas alegações, considerando-as ⁠uma premissa falsa ⁠para ​desencadear o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Reuters

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