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Rússia intensifica repressão a críticos no exterior, diz especialista da ONU

Rússia intensifica repressão a críticos no exterior, diz especialista da ONU

Reuters

21/09/2026

Placeholder - loading - Bandeira da Rússia hasteada na embaixada russa em Berlim, na Alemanha 20 de setembro de 2026 REUTERS/Maryam Majd
Bandeira da Rússia hasteada na embaixada russa em Berlim, na Alemanha 20 de setembro de 2026 REUTERS/Maryam Majd

Por Olivia Le Poidevin

GENEBRA, 21 Set (Reuters) - A ​Rússia intensificou a vigilância, a intimidação e as represálias contra críticos no exterior desde sua invasão da Ucrânia em 2022, afirmou um especialista da ONU nesta segunda-feira.

A Relatora Especial sobre direitos humanos na Rússia, Mariana Katzarova, declarou ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, que a Rússia se tornou uma das principais responsáveis pela “repressão transnacional”, por meio de tentativas de assassinato, agressões e envenenamentos.

“Trata-se da continuação, além das fronteiras da Rússia, do mesmo sistema estrutural de repressão patrocinado pelo Estado que documentei no próprio país”, disse Katzarova ⁠em comunicado, ⁠citando seu novo relatório baseado em ​400 casos ‌documentados.

“Sair da Rússia não significa deixar a repressão russa para trás”, acrescentou. De 650 mil a 900 mil pessoas deixaram a Rússia desde 2022, segundo o relatório.

A missão diplomática da Rússia em Genebra não respondeu imediatamente a um ⁠pedido de comentário da Reuters, embora Moscou já tenha, no passado, negado ​ter realizado ações hostis em solo estrangeiro, citando uma campanha de difamação ocidental.

Os ​incidentes de “repressão transnacional” triplicaram, passando de 29 no ‌período de 2014 a ​2021 para ⁠89 entre 2022 e 2024, segundo o relatório, que cita dados da sociedade civil.

Embora a Rússia tenha um longo histórico de assassinatos e intimidações além das fronteiras -- incluindo o assassinato ​do ex-agente da KGB Alexander Litvinenko em Londres, em 2006 --, o método e a escala das ações passaram da violência aberta para ferramentas secretas, administrativas e digitais, constatou Katzarova.

CONTAS BANCÁRIAS BLOQUEADAS

O relatório explicou como a Rússia inclui indivíduos na lista de “terroristas ​e extremistas” do Serviço Federal de Monitoramento Financeiro (Rosfinmonitoring), o que aciona alertas e leva ao bloqueio de contas em instituições bancárias europeias e norte-americanas.

As autoridades russas também restringiram serviços e documentos de viagem para cidadãos no exterior, segundo o relatório. O documento citou o caso de Elena Pushkareva, a quem a Embaixada da Rússia no Canadá negou serviços consulares alegando uma “ameaça à segurança”, depois que ela protestou pela libertação de Alexei Navalny ​e de outros presos políticos.

A Rússia é o país que mais recorre aos pedidos de ‌prisão da Interpol, embora cerca de ⁠metade dos casos relacionados ao país analisados pelo órgão de supervisão da Interpol em 2024 não estivessem em conformidade, afirmou Katzarova.

Os alvos incluem emigrantes antiguerra, jornalistas e organizações ⁠não governamentais. Embora as perseguições ocorram principalmente nos Estados ⁠do Cáucaso do Sul e da ⁠Ásia Central, os incidentes ⁠documentados ​aumentaram drasticamente na Europa e além do continente, segundo o relatório.

(Reportagem de Olivia Le Poidevin)

Reuters

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