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Rússia investiga fundador do Telegram em ofensiva contra aplicativo de mensagens

Rússia investiga fundador do Telegram em ofensiva contra aplicativo de mensagens

Reuters

24/02/2026

Placeholder - loading - Aplicativo do Telegram 27/10/2025     REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa
Aplicativo do Telegram 27/10/2025 REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa

Por Guy Faulconbridge

MOSCOU, 24 Fev - A Rússia intensificou nesta ​terça-feira seus esforços para subjugar o aplicativo de mensagens Telegram, anunciando em um jornal estatal que estava investigando o bilionário fundador Pavel Durov como parte de um processo criminal envolvendo acusações de terrorismo.

A Rússia está tentando bloquear o Telegram, que tem mais de 1 bilhão de usuários ativos e é amplamente utilizado tanto no território russo quanto na Ucrânia. O objetivo é direcionar dezenas de milhões de russos para uma alternativa apoiada pelo Estado, conhecida como MAX.

O Telegram não respondeu ao pedido de comentário e não foi possível contatar Durov, embora o aplicativo tenha negado repetidamente as alegações da Rússia de que é um ⁠refúgio para ⁠atividades criminosas e comprometido pelos serviços de ​inteligência ocidentais ‌e ucranianos.

O jornal estatal russo Rossiyskaya Gazeta publicou nesta terça-feira um artigo de 1.500 palavras que, segundo o jornal, era 'baseado em materiais do Serviço Federal de Segurança da Rússia' e acusava o aplicativo de ser 'uma ferramenta para ameaças híbridas'.

'As ações do chefe do Telegram, P. Durov, ⁠estão sendo investigadas como parte de um processo criminal por crime previsto no Artigo ​205.1, Parte 1.1 (auxílio a atividades terroristas) do Código Penal da Rússia', afirmou.

O jornal afirmou que o ​Telegram se tornou uma ferramenta da aliança militar da ‌Otan e da Ucrânia, sendo ​amplamente ⁠utilizado por radicais e terroristas e representando uma 'ameaça à nossa sociedade'.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as autoridades notaram uma grande quantidade de material no Telegram que poderia 'potencialmente representar uma ameaça' à Rússia.

'Registramos um ​grande número de violações e a falta de vontade da administração do Telegram em cooperar com as nossas autoridades', disse Peskov aos repórteres. 'As autoridades competentes estão tomando as medidas que consideram apropriadas.'

Quatro anos após o início da guerra mais sangrenta na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, a Rússia está ​expandindo seus já significativos poderes repressivos e criando um Estado de vigilância digital mais sofisticado, nos moldes da China.

REPRESSÃO RUSSA

Autoridades russas afirmam que a repressão às redes privadas virtuais (VPNs) e a aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram é essencial para a segurança, visto que Moscou enfrenta ataques mortais em território russo provenientes da Ucrânia e supostas tentativas de sabotagem por agências de inteligência ocidentais.

Por sua vez, as agências de inteligência ocidentais afirmam estar enfrentando a maior ameaça russa desde a Guerra Fria e dizem ​estar tentando recrutar agentes na Rússia, mas negam ter a intenção de destruir o país.

Moscou vem apertando o ‌controle sobre o Telegram há meses, primeiro reduzindo ⁠a velocidade das chamadas de voz e vídeo e depois bloqueando brevemente o aplicativo para alguns usuários no início deste mês, embora ele ainda estivesse funcionando para os repórteres da Reuters em ⁠Moscou nesta terça-feira.

Desde a sua criação, em 2013, o Telegram tornou-se ⁠uma das fontes de notícias mais importantes dentro ⁠da Rússia, inclusive para ⁠soldados ​em ambos os lados da linha de frente de 1.200km (750 milhas) no leste da Ucrânia.

(Texto de Guy Faulconbridge)

Reuters

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