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SAIBA MAIS-Como Israel poderia sair do impasse eleitoral?

SAIBA MAIS-Como Israel poderia sair do impasse eleitoral?

Reuters

29/10/2026

Placeholder - loading - Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu discursa após divulgação das pesquisas de boca de urna das eleições     28 de outubro de 2026   REUTERS/Ammar Awad
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu discursa após divulgação das pesquisas de boca de urna das eleições 28 de outubro de 2026 REUTERS/Ammar Awad

Por Maayan Lubell

JERUSALÉM, 29 Out (Reuters) - As eleições em Israel nesta ​semana não foram decisivas e não há um vencedor claro pronto para formar um governo. Benjamin Netanyahu permanece no cargo como primeiro-ministro interino, mas enfrenta um Parlamento com maioria da oposição que busca destituí-lo.

Aqui estão alguns cenários que podem se seguir:

OUTRA ELEIÇÃO

Após a divulgação dos resultados finais oficiais das eleições na próxima semana, o presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciará consultas com representantes dos partidos e, em seguida, indicará o candidato que considerar ter as melhores chances de formar um governo.

Se o candidato não conseguir, outro poderá tentar e, caso esse também falhe, o Knesset poderá indicar outro. Há um prazo de cerca de 100 dias para esse processo. Se ninguém tiver sucesso, será realizada outra eleição.

Herzog afirmou na quarta-feira que tudo deve ser feito para evitar uma nova eleição ⁠e instou os ⁠partidos a participarem das consultas com ele com a ​mente aberta.

GOVERNO ‌DE UNIDADE

O partido Likud, de Netanyahu, que se destacou como o maior no Knesset, forma uma coalizão que provavelmente incluiria partidos de oposição de centro e de direita, como o Yashar, de Gadi Eisenkot — o segundo maior partido —, o “Israel, Nosso Lar”, de Avigdor Lieberman, e a facção “Juntos”, de Naftali Bennett.

Esse agrupamento garantiria 66 cadeiras, uma maioria no Parlamento ⁠de 120 cadeiras.

No entanto, essa opção parece remota neste momento, pois significaria que Netanyahu provavelmente teria que ​abandonar seus aliados políticos naturais: os partidos de extrema-direita e os judeus ultraortodoxos. Além disso, os partidos da oposição ​teriam que quebrar sua principal promessa aos eleitores: destituir Netanyahu.

Ainda assim, se ‌nenhum dos lados conseguir formar um ​governo ⁠ao final de semanas de negociações prolongadas, um governo de unidade poderá surgir como última opção.

A retomada dos confrontos com o Irã, ou com outros atores, também poderia aproximar os lados.

GOVERNO DE MINORIA DE EISENKOT

Se Herzog escolher Eisenkot primeiro, ele poderia tentar formar um governo ​com os aliados naturais do Yashar — Juntos, Os Democratas e Israel, Nosso Lar — apoiado pelos dois partidos árabes de Israel, mesmo que eles não sejam membros desse governo: Ra’am e a Lista Conjunta.

A coalizão de Eisenkot somaria 48 cadeiras, de acordo com a última apuração de votos, com os partidos árabes somando 19 cadeiras, o que, juntos, alcançaria uma maioria de 67 cadeiras.

Mas mesmo ​que Eisenkot volte atrás em sua promessa de campanha de não incluir partidos árabes no governo e aceite o apoio deles, seria difícil convencer muitos israelenses, cujas atitudes em relação à minoria árabe de Israel se endureceram ainda mais desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Netanyahu concentrou sua campanha em deslegitimar o apoio dos partidos árabes, que alcançaram níveis recordes nas eleições de terça-feira, e, por enquanto, apenas o partido “Os Democratas”, de centro-esquerda, se manifestou publicamente pedindo a inclusão desses partidos.

Ambos os partidos árabes sinalizaram que estão dispostos a cooperar com a chapa de Eisenkot.

O Ra’am integrou-se ao governo de Bennett em 2021, ​a primeira vez que um partido árabe independente entrou em uma coalizão israelense. Esse governo caiu após 18 meses.

NETANYAHU COM MAIORIA PARA ‌UM GOVERNO DE DIREITA

A coalizão de Netanyahu caiu de ⁠suas 64 cadeiras originais para 53, de acordo com os últimos resultados eleitorais. Mas o líder mais longevo de Israel é visto como um dos políticos mais habilidosos do país e poderia dividir a oposição ao atrair membros de seus partidos ⁠para o seu lado.

Ele já conseguiu fazer isso antes, inclusive como líder da oposição ⁠na corrida para as eleições de 2022, das quais saiu ⁠vitorioso. Mas a coalizão ⁠contra ​a qual ele lutava na época tinha uma vantagem muito menor e ele não precisou de muitos desertores para desestabilizar seus rivais políticos.

Reuters

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