Saída dos EUA de tratado é criticada por chefe do clima da ONU
Saída dos EUA de tratado é criticada por chefe do clima da ONU
Reuters
08/01/2026
Por Valerie Volcovici
WASHINGTON, 8 Jan (Reuters) - A decisão dos Estados Unidos de deixar o principal tratado climático das Nações Unidas é um 'gol contra colossal' que prejudicará a economia, os empregos e o padrão de vida norte-americano, disse nesta quinta-feira o chefe do clima das Nações Unidas, Simon Stiell.
'Enquanto todas as outras nações estão avançando juntas, este último retrocesso na liderança global, na cooperação climática e na ciência só pode prejudicar a economia, os empregos e o padrão de vida dos EUA, à medida que os incêndios florestais, as inundações, as tempestades de grandes proporções e as secas pioram rapidamente', disse Stiell em um comunicado.
'É um gol contra colossal que deixará os EUA menos seguros e menos prósperos.'
O presidente dos EUA, Donald Trump, um crítico ferrenho da energia renovável que chamou a mudança climática de 'farsa', foi além de sua ação anterior de retirar os EUA -- o maior emissor histórico de gases de efeito estufa do mundo -- do Acordo de Paris sobre o clima, removendo o país da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).
A UNFCCC exige que os países industrializados ricos tomem medidas para reduzir suas emissões, adotem políticas para limitar as emissões de gases de efeito estufa, divulguem publicamente suas emissões e forneçam financiamento para ajudar as nações mais pobres a lidar com as mudanças climáticas.
Nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que os EUA se retirariam imediatamente do principal mecanismo de financiamento climático da UNFCCC, o Fundo Verde para o Clima, e de seu conselho administrativo.
Os Estados Unidos também se retiraram do principal órgão científico da ONU sobre mudanças climáticas, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Os cientistas norte-americanos desempenharam um papel fundamental nas avaliações do IPCC.
A medida gerou críticas tanto de autoridades europeias quanto de grupos ambientalistas.
'A Casa Branca não se importa com o meio ambiente, a saúde ou o sofrimento das pessoas. Paz, justiça, cooperação ou prosperidade não estão entre suas prioridades. Nem mesmo o grande legado dos EUA para a governança global', disse Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, responsável pelos esforços gerais da UE em relação às mudanças climáticas e ao meio ambiente, em uma publicação no Bluesky.
O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore afirmou que a saída dos EUA do IPCC visa semear dúvidas sobre a ciência climática em nível global, mesmo enquanto o resto do mundo se mantém fiel ao tratado climático da ONU.
'Ao se retirar do IPCC, da UNFCCC e de outras parcerias internacionais vitais, o governo Trump está desfazendo décadas de diplomacia arduamente conquistada, tentando minar a ciência climática e semeando desconfiança em todo o mundo', disse.
(Reportagem de William James, Valerie Volcovici e Kate Abnett)
Reuters

