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    Sem outros choques, é perfeitamente possível colocar inflação na meta em 22, diz Campos Neto

    Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala durante cerimônia no Palácio do Planalto  24/02/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
    Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala durante cerimônia no Palácio do Planalto 24/02/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira ser perfeitamente possível colocar a inflação na meta em 2022, reiterando que a autoridade monetária fará o que for necessário para tanto.

    'É perfeitamente possível fazer o trabalho, a menos que outros choques aconteçam, com esse ritmo que estamos mantendo', disse ele, em evento online promovido pelo banco Goldman Sachs.

    'É importante enfatizar que nossa meta é 2022 e faremos o que for preciso para colocar a inflação na meta nesse horizonte', acrescentou.

    O BC tem dado indicações de que prosseguirá com o ritmo de alta de 1 ponto nos juros em sua próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece no fim deste mês. Desde março, quando iniciou o ciclo de aperto, o BC já subiu a Selic em 4,25 pontos, ao patamar atual de 6,25% ao ano.

    A sinalização da autoridade monetária é de que será necessário levar a taxa de juros para patamar 'significativamente contracionista' --que atua no sentido de desaquecer a economia-- para domar as persistentes pressões inflacionárias.

    Segundo Campos Neto, a manutenção do ritmo de subida nos juros dá ao BC tempo para analisar o cenário em meio a incertezas que se colocam à frente.

    'Vemos que o melhor jeito de atuar é manter o ritmo, entendendo que a (taxa) terminal é o mais importante e o tempo que ganhamos é muito valioso para conseguirmos decifrar as informações no curto prazo e também para entendermos como essa transmissão está acontecendo na curva de juros e como as expectativas estão se comportando', disse.

    Em Washington para participar de reuniões do FMI (Fundo Monetário Internacional), Campos Neto afirmou ter observado, a partir desses encontros, que há questionamento global sobre o que está acontecendo com a demanda por bens, por que está havendo esse deslocamento de maior procura por esses produtos e o quanto disso é apenas uma consequência dos recursos que ficaram disponíveis a partir de programas de transferência de renda.

    O quanto houve de mudança estrutural e o quão persistente é esse movimento relacionado a bens são fatores que devem ter implicações para a normalização da política monetária, em termos globais, afirmou ele.

    Segundo Campos Neto, o crescimento da China também é outro tópico que está sendo abordado nas conversas, especialmente quanto ao impacto para economias emergentes de uma desaceleração econômica do gigante asiático.

    Escrito por Reuters

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