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STF permite que indígenas Cinta Larga garimpem em até 1% dos seus territórios até Congresso fixar parâmetros de exploração

STF permite que indígenas Cinta Larga garimpem em até 1% dos seus territórios até Congresso fixar parâmetros de exploração

Reuters

13/08/2026

Placeholder - loading - Ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino 16 de junho de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino 16 de junho de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 13 Ago (Reuters) - O Supremo ​Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira permitir que os indígenas Cinta Larga possam garimpar ouro, diamante e quaisquer outros minérios em até 1% do seu território, decisão essa que tem validade até que o Congresso Nacional legisle sobre o assunto e defina eventuais outros parâmetros para esse tipo de exploração mineral.

A determinação ocorre no julgamento de uma ação que trata de garimpos ilegais no território Cinta Larga, nos Estados de Rondônia e Mato Grosso, e pode servir como baliza para outras terras ⁠indígenas.

A terra ⁠Cinta Larga é uma das maiores ​do país, ‌com extensão territorial do tamanho da Bélgica, e que convive com exploração mineral de garimpeiros externos e também de indígenas.

Durante o julgamento, os ministros do Supremo reconheceram que há uma omissão do Poder Legislativo de ⁠fixar os parâmetros de exploração mineral nos territórios indígenas, o que é ​previsto na Constituição de 1988 e até o momento não foi regulamentado.

Os ​ministros acompanharam o voto dado pelo relator da ‌ação, ministro Flávio Dino, ​para confirmar ⁠a liminar dada pelo colega em fevereiro passado.

Em seu voto nesta quinta, Flávio Dino disse que a medida é válida pelo prazo de dois anos, tempo que ele ​considera razoável para que o Congresso edite uma lei para regulamentar a exploração mineral em terras indígenas.

Dino ressalvou que a exploração mineral no território só pode ocorrer após ocorrer consulta e aprovação majoritária de uma cooperativa indígena. Eles precisam também ​garantir as autorizações e licenciamentos de competência dos Poderes Executivo e Legislativo.

A gerente de novos negócios da Ambientare Soluções em Meio Ambiente, Alexandra Brandão, disse que a decisão do Supremo não abre a mineração em terras indígenas, mas sim organiza o processo até que o Congresso aprove uma lei específica sobre o tema, em 24 meses.

'Enquanto isso, ficam valendo parâmetros como consulta prévia às comunidades e estudos de impacto ​ambiental, etapas que já fazem parte da rotina de qualquer empreendimento minerário sério', disse ‌ela.

'Para o setor, o principal ganho ⁠de uma regulamentação clara é reduzir a zona cinzenta que hoje favorece o garimpo ilegal, sem controle ambiental nem qualquer participação das comunidades nos resultados. Ter ⁠regras definidas, com critérios técnicos objetivos, tende a ⁠dar mais segurança tanto para quem já ⁠opera de forma ⁠regular ​quanto para os povos indígenas envolvidos', ressaltou Alexandra.

(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Alexandre Caverni)

Reuters

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