Trump afirma que Hegseth está fazendo “um ótimo trabalho” em meio a dúvidas sobre seu futuro
Trump afirma que Hegseth está fazendo “um ótimo trabalho” em meio a dúvidas sobre seu futuro
Reuters
04/11/2026
Por Phil Stewart e Steve Holland
WASHINGTON, 4 Nov (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, nesta quarta-feira, um dia após os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso nas eleições de meio de mandato, que refletiram a indignação dos eleitores em relação à guerra contra o Irã, entre outros pontos.
Questionado se considera substituir Hegseth, a quem descreveu como um defensor da guerra, Trump disse a jornalistas: “Não, acho que ele está fazendo um ótimo trabalho.”
A resposta contrastou com a do então presidente George Bush, que demitiu o secretário de Defesa Donald Rumsfeld na manhã seguinte às eleições de meio de mandato de 2006, quando o descontentamento dos eleitores com a guerra no Iraque ajudou os democratas a conquistarem o controle do Congresso.
Mas fontes afirmaram que Trump ainda pode substituir Hegseth, à medida que os republicanos avaliam suas perdas.
Um assessor de Trump disse que Hegseth “pode estar na mira” por causa da guerra. “Alguém vai ser culpado por isso e você sabe que não vai ser ele (Trump)”, disse o assessor.
Trump descreveu Hegseth como um dos principais defensores do impopular conflito, dizendo em 23 de março: “Pete, acho que você foi o primeiro a se manifestar e disse: ‘Vamos fazer isso, porque não podemos deixar que eles tenham uma arma nuclear’”.
O vice-presidente JD Vance questionou publicamente nesta quarta-feira se a guerra contra o Irã valeu a pena e disse que ela custou aos republicanos o controle do Congresso.
Solicitada a comentar, a Casa Branca encaminhou à Reuters as declarações públicas de Trump sobre Hegseth.
O Departamento de Defesa afirmou que Hegseth estava “100% comprometido” em liderar o Pentágono até o fim do mandato de Trump, que termina em 20 de janeiro de 2029.
AMEAÇA DE IMPEACHMENT
Hegseth tem sido uma figura polêmica na política norte-americana e fez inimigos até mesmo dentro de seu próprio Partido Republicano. Um parlamentar republicano, o deputado federal Thomas Massie, chegou a apresentar uma moção de impeachment contra ele no início deste ano, acusando-o de abusar de seu cargo ao iniciar hostilidades contra o Irã sem a aprovação do Congresso.
O senador republicano Thom Tillis disse à CBS News na noite de terça-feira que Hegseth terá que “prestar contas” e que sua relação tensa com os parlamentares estava prejudicando a pressão do governo Trump pela aprovação de um pacote de gastos com defesa de US$1,5 trilhão no Congresso.
“Acho que, após a eleição, precisamos determinar se ele é ou não a melhor pessoa para levar essas necessidades ao Congresso, caso queira que algo seja feito antes do fim desta legislatura, que está a apenas 60 dias de distância”, disse Tillis à medida que os resultados das eleições de meio de mandato eram divulgados.
Os democratas prometeram investigar Hegseth e sua gestão do Pentágono, e assessores afirmam que isso pode incluir tudo, desde sua conduta em relação à guerra com o Irã até suas demissões em massa de altos oficiais militares.
Ele também pode enfrentar questionamentos sobre sua política em relação à Ucrânia e os ataques militares dos EUA a embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas latino-americanas, o que, segundo alguns democratas, poderia constituir crimes de guerra.
O deputado Adam Smith, democrata que deve liderar a Comissão de Serviços Armados da Câmara no próximo ano, prometeu uma fiscalização rigorosa sobre tudo, desde a guerra com o Irã até o que ele chamou de erosão da “base apolítica das forças armadas”.
Uma fonte a par do assunto afirmou que a animosidade no Capitólio em relação a Hegseth tem sido tema de discussões na Casa Branca sobre possíveis substitutos para ele, indicando que seria necessário ter alguém no cargo que pudesse se distanciar de eventos sob escrutínio democrata.
O porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que Hegseth continuará a conduzir a agenda de Trump e que o Pentágono “tem seguido a lei”.
“O secretário Hegseth não recuará nem se deixará intimidar por políticos que buscam marcar pontos partidários ou iniciar investigações falsas onde não há nenhuma irregularidade”, disse Parnell.
(Reportagem de Phil Stewart e Steve Holland; reportagem adicional de Gram Slattery)
Reuters

