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    Trump e López Obrador discutem imigração e comércio em primeiro telefonema

    Por Thomson Reuters

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    Por Stefanie Eschenbacher e David Alire Garcia

    CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o próximo líder do México, Andrés Manuel López Obrador, discutiram imigração, comércio e questões de segurança em um telefonema nesta segunda-feira, com os dois iniciando um diálogo em meio a relações tensas entre os países vizinhos.

    López Obrador, ex-prefeito de 64 anos da Cidade do México, venceu por maioria esmagadora a eleição de domingo, dando um forte golpe aos partidos do establishment e se tornando o primeiro político de esquerda a conquistar a Presidência mexicana desde que a regra de partido único encerrou em 2000.

    Relações entre Trump e López Obrador serão observadas de perto porque Trump tem regularmente criticado o México. Em comentários a repórteres, Trump disse acreditar que López Obrador irá ajudar os Estados Unidos a protegerem sua fronteira no sul.

    “Acho que o relacionamento será muito bom. Veremos o que acontece, mas eu realmente acredito que será muito bom”, disse Trump.

    Ele afirmou que no telefonema comentaram sobre um possível acordo comercial entre os EUA e o México.

    Pouco depois, López Obrador deu sua descrição do telefonema em publicação no Twitter, dizendo que propôs um acordo abrangente para criar empregos, diminuir imigração e aumentar segurança.

    A Reuters informou no mês passado sobre o plano de segurança, que López Obrador vê como uma alternativa ao muro fronteiriço de Trump.

    Em sua descrição, López Obrador não mencionou comércio, e Trump não deu mais detalhes sobre um possível pacto comercial. Conversas entre EUA, Canadá e México para revisar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, de 1994, têm sido complicadas.

    López Obrador, no passado cético do Nafta e que moderou suas opiniões em sua terceira disputa à Presidência, disse em entrevista na TV mexicana nesta segunda-feira que deseja um acordo do Nafta que seja bom para o México.

    “Nós vamos acompanhar o governo atual nesta negociação, nós vamos ser muito respeitosos, e nós vamos apoiar a assinatura do acordo”, disse à Milenio TV.

    López Obrador, que diz desejar relações firmes, mas amigáveis, com Washington, disse que irá discutir o Nafta com o presidente de saída Enrique Peña Nieto quando tiverem o primeiro encontro após a eleição, marcado para terça-feira.

    Trump tem sido antagônico em relação ao México no que envolve comércio e imigração. As conversas atuais do Nafta começaram no ano passado, após Trump pedir que o acordo fosse renegociado para servir melhor aos interesses dos EUA.

    Apesar do tom conciliatório de Trump, uma assessora da Casa Branca repetiu nesta segunda-feira uma das promessas de campanha mais controversas que o líder norte-americano levou para sua Presidência.        

    “No caso do México, obviamente nós compartilhamos uma fronteira com eles e este presidente deixou muito claro sobre construir um muro e fazer com que o México pague por isto”, disse a assessora, Kellyanne Conway, à Fox News.

    Mexicanos de todo o espectro político disseram que o México não irá pagar pelo muro proposto por Trump na fronteira do sul dos EUA, que ele disse ser necessário para manter longe imigrantes ilegais e drogas.

    López Obrador, que irá assumir em 1º de dezembro, conquistou mais de 53 por cento dos votos na eleição de domingo, segundo resultados preliminares, com mais que o dobro de votos que seu rival mais próximo. Esta é a maior porcentagem de votos em uma eleição presidencial mexicana desde o começo dos anos 1980 e dá a ele um forte mandato para responder aos problemas internos do México e enfrentar desafios externos, como tarifas norte-americanas.

    Em seu discurso de vitória, López Obrador buscou tranquilizar investidores de que irá buscar políticas econômicas prudentes e independência do banco central. Seus assessores econômicos repetiram esta mensagem em uma teleconferência com investidores nesta segunda-feira e em uma entrevista à Reuters.

    (Reportagem adicional de Dave Graham, Julia Love, Christine Murray, Anthony Esposito, Berengere Sim, Delphine Schrank e Frank Jack Daniel)

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