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Vale desacelera projetos de 'mega hubs' no Oriente Médio diante da guerra no Irã

Vale desacelera projetos de 'mega hubs' no Oriente Médio diante da guerra no Irã

Reuters

04/08/2026

Placeholder - loading - O presidente da Vale 20 de janeiro de 2026 REUTERS/Denis Balibouse
O presidente da Vale 20 de janeiro de 2026 REUTERS/Denis Balibouse

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 4 Ago (Reuters) - ​A Vale desacelerou seus projetos para o desenvolvimento de complexos industriais ('mega hubs') no Oriente Médio com parceiros diante da guerra no Irã, afirmou o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira.

As iniciativas visam a fabricação de produtos de minério de ferro de baixo carbono para a indústria siderúrgica.

A companhia assinou, nos últimos anos, acordos com clientes, buscando soluções que permitiriam reduzir as emissões da siderurgia.

Três dos negócios fechados visavam a instalação desses complexos na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã para a produção de 'hot-briquetted iron' (HBI).

'Com ⁠a guerra, ⁠os projetos seguem sendo avaliados e ​discutidos, mas ‌eles desaceleraram', disse Pimenta, a jornalistas, em evento da S&P, no Rio de Janeiro.

O executivo pontuou que a empresa avalia o andamento da guerra e quais as condições que permitiriam a retomada do andamento dos projetos.

'Do ponto de vista fundamental ⁠e do ponto de vista estrutural, segue sendo uma região atrativa porque ​tem gás natural barato, tem uma questão logística muito importante', adicionou.

No passado, a ​Vale chegou a prever iniciar as atividades no ‌primeiro centro industrial no ​Oriente ⁠Médio em 2027.

Pimenta destacou, entretanto, que a descarbonização na indústria 'é um caminho sem volta, ela vai ocorrer'.

'Ela (a descarbonização) vai ter 'ups and downs', ela vai ter subidas e descidas ao longo do (tempo) ​e, questões como guerra, isso tudo impacta. Mas a direção da descarbonização em função da questão de emissão de CO2 está dada, e eu acho que para Vale vai seguir sendo um posicionamento estratégico importante', afirmou.

MINERAIS CRÍTICOS

Pimenta também afirmou que tem participado ​de discussões junto ao governo federal que visam o desenvolvimento da indústria de minerais críticos no Brasil, e afirmou que há a necessidade da criação de incentivos governamentais e mecanismos comerciais para o avanço do setor no país.

'Eu acho muito difícil (sem incentivos) porque o grau de eficiência que o mercado chinês, por exemplo, conseguiu alcançar, inclusive com o apoio do governo e em alguns casos de subsídios, fez com que eles chegassem ​ao nível de eficiência que é difícil você replicar', afirmou.

'Então as maiores plantas de refino (de ‌minerais) hoje fora da China estão perdendo ⁠dinheiro, então você tem que criar um incentivo para... essa cadeia.'

Pimenta ressaltou, no entanto, que a Vale não tem planos de atuar no refino de minerais críticos ⁠e que o seu papel neste cenário é ser 'o ⁠melhor operador de 'upstream' possível... É isso que ⁠a gente sabe fazer'.

A ⁠companhia ​é uma importante produtora de níquel e cobre.

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

Reuters

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