Vice-presidente de Taiwan diz nos EUA que ilha não recuará diante de ameaças autoritárias
Vice-presidente de Taiwan diz nos EUA que ilha não recuará diante de ameaças autoritárias
Reuters
14/08/2023
Taipé (Reuters) - Taiwan não terá medo nem recuará diante de ameaças autoritárias, disse o vice-presidente da ilha a apoiadores em uma visita aos EUA que Pequim condenou, ao mesmo tempo em que reiterou a disposição de conversar com a China.
William Lai, também favorito para ser o próximo presidente de Taiwan nas eleições de janeiro, está nos EUA no que é oficialmente uma parada a caminho do Paraguai para a posse de seu novo presidente. O país sul-americano é um dos 13 países a manter laços formais com a ilha reivindicada pelos chineses.
Taiwan e os EUA dizem que as escalas, incluindo uma em São Francisco no caminho de volta, são rotineiras, mas a China as denunciou e chamou Lai de separatista 'criador de problemas'.
Lai disse em um almoço de apoiadores em Nova York no domingo que 'se Taiwan está seguro, o mundo está seguro, se o Estreito de Taiwan está em paz, então o mundo está em paz', de acordo com o gabinete presidencial de Taiwan.
'Não importa quão grande seja a ameaça do autoritarismo para Taiwan, absolutamente não teremos medo nem nos acovardaremos. Defenderemos os valores da democracia e da liberdade', disse.
VONTADE DE FALAR
Lai, que prometeu manter a paz e o status quo, reiterou em Nova York que, com base no princípio básico de dignidade e paridade, ele está 'muito disposto' a conversar com a China e buscar a paz e a estabilidade.
Mas disse que protegerá a soberania de Taiwan, que apenas o povo da ilha pode decidir seu futuro e que a República da China -- nome formal da região autônoma -- e a República Popular da China 'não estão subordinadas uma à outra'.
Tanto Taipé quanto Washington pretendem que as escalas dos Estados Unidos sejam discretas e pediram à China que não tome nenhuma ação provocativa em resposta.
Ainda assim, autoridades taiwanesas dizem que a China provavelmente lançará exercícios militares nesta semana perto da ilha, usando as escalas de Lai nos EUA como pretexto para intimidar os eleitores antes do pleito do ano que vem e fazê-los 'temer a guerra'.
Nesta segunda-feira, o Comando do Teatro Oriental do Exército Popular de Libertação da China, que é responsável pela área ao redor de Taiwan, mostrou fotos em sua conta no WeChat de tropas praticando assalto a uma praia, embora não tenha fornecido o local, o momento ou mencione especificamente Taiwan.
(Reportagem de Ben Blanchard)
Reuters

