Argentina eleva defesas econômicas contra 'ataque' da inflação
Argentina eleva defesas econômicas contra 'ataque' da inflação
Reuters
15/05/2023
Por Walter Bianchi
BUENOS AIRES (Reuters) - O governo da Argentina está reforçando suas defesas econômicas enquanto luta contra uma inflação desenfreada que atingiu 109% em abril, esgotando rapidamente as reservas de moeda estrangeira do banco central, enfraquecendo o peso e alimentando temores de uma forte desvalorização cambial.
O Ministério da Economia anunciou um pacote de medidas no domingo, incluindo novos aumentos nas taxas de juros, mais intervenção do banco central nos mercados de câmbio e acordos acelerados com os credores depois que a inflação superou todas as previsões na semana passada.
Nesta segunda-feira, o banco central elevou sua taxa de juros em 600 pontos-base, elevando a taxa para 97%. Isso vem após aumentos consecutivos totalizando 1.300 pontos-base em abril.
O banco de investimentos J.P. Morgan disse que um 'ataque da inflação' forçou o governo a tomar 'medidas de emergência'.
'A Casa Rosada (palácio presidencial) está concentrada, por enquanto, em buscar recursos para conter o sangramento das reservas e aliviar o impacto da alta dos preços', afirmou.
A taxa de inflação da Argentina acelerou apesar dos controles de preços e aumentos regulares das taxas, elevando os temores de um retorno à hiperinflação que atingiu o país há pouco mais de 30 anos, a última vez que os aumentos de preços em 12 meses chegaram a três dígitos.
Enquanto isso, as reservas de dólares caíram, gravemente prejudicadas por uma seca histórica que afetou as principais safras comerciais de soja e milho, mesmo quando o banco central gastou moeda forte para sustentar o peso, que atingiu uma baixa recorde nos mercados paralelos populares no mês passado.
Isso criou um dilema para o governo: como domar a inflação e evitar uma queda da moeda, ao mesmo tempo em que protege as escassas reservas em moeda estrangeira no banco. Alguns analistas estimam que as reservas líquidas estejam negativas.
'Se o BCRA (Banco Central) acelerar uma desvalorização, estará colocando mais gasolina na fogueira. Se atrasar a taxa de câmbio para usá-la como âncora, venderá cada vez mais reservas baratas', disse Roberto Geretto, gerente de portfólio da Fundcorp.
'A situação é complexa e o mandamento 'não desvalorizar' custa cada vez mais. Mas desvalorizar sem planejamento pode ser um salto no vazio.'
Os mercados estão acompanhando os desenvolvimentos políticos de perto enquanto a Argentina se aproxima das eleições gerais em outubro, bem como as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para alterar o acordo de empréstimo de 44 bilhões de dóláres do país e acelerar os pagamentos.
'Os investidores estão atentos aos sinais das negociações com o FMI, já que receber novos recursos --pelo menos via reprogramação de desembolsos-- seria crucial para reduzir as tensões cambiais e financeiras nesta fase', disse o economista Gustavo Ber.
(Reportagem de Walter Bianchi; Reportagem adicional de Karin Strohecker)
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