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Batalha contra inflação no Brasil não está ganha e juros devem permanecer restritivos, diz Campos Neto

Batalha contra inflação no Brasil não está ganha e juros devem permanecer restritivos, diz Campos Neto

Reuters

22/08/2023

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto 15/02/2023 REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto 15/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  22/08/2023

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que a batalha contra inflação no Brasil não está ganha e que a autoridade monetária precisa persistir com uma postura restritiva.

Falando na Conferência Anual do Santander, Campos Neto destacou que o BC tem tentado adotar em sua comunicação a mensagem de que os juros ainda precisam ser restritivos.

'O Brasil conseguiu trazer a inflação para baixo com um freio de crédito bem menor que outros países', pontuou Campos Neto.

'Quando olhamos em termos de segmentação, vemos a parte de serviços começando a cair. Mas a batalha contra a inflação não está ganha. Em nossa comunicação, adotamos que os juros ainda precisam ser restritivos', acrescentou.

De fato, na ata de seu último encontro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou que o atual cenário para a inflação 'requer uma postura mais conservadora ao longo do ciclo' de cortes da taxa básica Selic. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano.

Em sua fala, Campos Neto também voltou a citar que o país passa por um processo de 'desancoragem gêmea', em que há dúvidas no mercado em torno do cumprimento da meta de inflação e sobre a capacidade de o governo cumprir as metas fiscais estabelecidas.

'Se conseguíssemos ter uma ancoragem na parte fiscal, o trabalho monetário poderia ser feito com mais facilidade', defendeu Campos Neto.

De acordo com o presidente do BC, mesmo com a apresentação pelo governo do novo arcabouço fiscal -- atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados -- o Brasil ainda registra um crescimento em termos reais das despesas. Sobre este aspecto, Campos Neto citou que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), 'tem falado' sobre reforma administrativa e cortes de gastos.

O presidente do BC alertou ainda que o país tem uma dívida bruta maior e tem gastos maiores que vários de seus pares, de forma que a dívida tende a crescer mais em um cenário de juros restritivos. Além disso, afirmou que o crescimento de longo prazo do Brasil é 'preocupante'.

Por outro lado, Campos Neto ponderou que o país tem conseguido trazer a inflação para baixo, fazendo isso com um impacto no crédito bem menor do que o verificado em outros países.

Ao analisar o crédito no Brasil, Campos Neto voltou a criticar o percentual elevado do crédito direcionado, em torno de 41%.

'Não tem nenhum país com crédito direcionado tão alto quanto o nosso', disse.

Após sinais convincentes de que a alta dos preços ao consumidor está esfriando, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu no início deste mês cortar a Selic em 0,50 ponto percentual, a 13,25% ao ano, indicando que fará novos cortes na mesma magnitude nos próximos meses.

Na semana passada, Campos Neto disse que a barra estabelecida pelo Banco Central para fazer algo diferente de cortes de 0,50 ponto percentual na taxa Selic à frente é alta.

Reuters

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