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BC corta Selic a 13,75% e vê moderação da atividade, mas deixa próximos passos em aberto

BC corta Selic a 13,75% e vê moderação da atividade, mas deixa próximos passos em aberto

Reuters

16/09/2026

Placeholder - loading - Edifício-sede do Banco Central em Brasília 16 de maio de 2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Edifício-sede do Banco Central em Brasília 16 de maio de 2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Atualizada em  16/09/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 16 Set (Reuters) - O Banco Central cortou a taxa básica de ​juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar, ao fim da última reunião de política monetária antes das eleições presidenciais, que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.

Em comunicado com poucas alterações de conteúdo em relação ao documento da reunião de agosto do colegiado, o BC apresentou visão mais firme de uma moderação da atividade, mas trouxe visão ligeiramente mais negativa para as projeções de inflação.

'Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado, reafirmando mensagem de dependência de dados passada também na reunião do colegiado em agosto.

O BC ainda voltou a dizer que seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da ⁠inflação à meta.

O quinto corte ⁠consecutivo da taxa Selic foi definido na última reunião do Copom ​antes das eleições ‌de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, crítico do nível de juros no país, buscará a reeleição. O próximo encontro ocorrerá no início de novembro.

No comunicado, a autarquia apontou que a inflação cheia e as medidas de itens menos voláteis desaceleraram, ficando abaixo do teto da meta, que é de 4,5%, mas ainda acima do centro do alvo de 3%.

A inflação corrente tem mostrado arrefecimento no país, apresentando queda mais forte que o ⁠esperado, mas agentes de mercado seguem prevendo que o índice de preços permanecerá acima do centro da meta nos próximos anos.

Nesta ​quarta, o BC piorou sua própria projeção de inflação para 2026 em relação a agosto, de 5,1% para 5,2%, bem acima do teto da meta, ​considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Para 2027, a ‌projeção subiu de 3,8% para 3,9%.

Em relação ​ao ⁠primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa para a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,2%, mesmo nível estimado em agosto.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,15, acima dos R$5,10 usados na última reunião.

A meta contínua de inflação é de 3% ​no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos -- o que na prática implica uma inflação de até 4,5%.

Dados recentes também mostram uma desaceleração da economia, cenário esperado pelo BC, com os juros em nível restritivo atuando sobre a demanda.

MODERAÇÃO

No documento, a autarquia afirmou que observa uma moderação gradual da atividade, principalmente em setores mais cíclicos -- que são mais impactados pelas variações dos juros -- embora ainda em patamar resiliente, e com o mercado de trabalho aquecido. ​Em agosto, a autarquia havia afirmado apenas que indicadores 'sugeriam' uma moderação na economia, além de ponderar que havia sinais mistos entre setores, o que foi eliminado no novo comunicado.

No comunicado, a autoridade monetária deixou inalterada a avaliação de que o balanço de riscos para a inflação à frente apresenta uma assimetria, com mais chances de alta do que de baixa.

Esse foi o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual na taxa após o BC iniciar em março um ciclo de “calibragem” da Selic, que havia atingido na ocasião o maior nível em quase duas décadas. Com a nova redução, os juros básicos seguem no patamar mais baixo desde março do ano passado, apesar do nível historicamente elevado.

A decisão desta quarta-feira veio em linha com o esperado pelo mercado. Em pesquisa da Reuters, 48 de 51 economistas projetaram que o BC ​cortaria a Selic em 0,25 ponto neste mês, enquanto três esperavam manutenção.

No documento, o BC afirmou ainda que o cenário externo segue incerto em função da indefinição sobre o ‌conflito no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em ⁠economias avançadas.

Mais cedo nesta quarta, o Federal Reserve elevou as taxas de juros dos Estados Unidos e sinalizou novos aumentos nos custos dos empréstimos nos próximos meses, com o novo presidente do banco central do país, Kevin Warsh, aderindo a uma decisão unânime que reconhece, na prática, a incapacidade do governo Donald Trump, até ⁠o momento, de controlar a inflação.

A decisão do Copom foi tomada de forma unânime pelo colegiado, em ⁠reunião realizada mais uma vez com desfalque, contando com apenas sete dos nove membros. ⁠Duas cadeiras do colegiado estão vagas ⁠desde ​o início do ano, após o término de mandatos de diretores, sem que o governo tenha indicado nomes para os cargos.

(Por Bernardo CaramEdição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)

Reuters

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