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BC corta Selic para 14% e deixa porta aberta para redução adicional de juros

BC corta Selic para 14% e deixa porta aberta para redução adicional de juros

Reuters

05/08/2026

Placeholder - loading - Edifício do Banco Central em Brasília 17 de dezembro de 2024 REUTERS/Adriano Machado
Edifício do Banco Central em Brasília 17 de dezembro de 2024 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  05/08/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 5 Ago (Reuters) - O Banco Central decidiu nesta quarta-feira cortar a ​taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.

A autarquia ponderou em comunicado que o cenário atual é 'caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base', o que exige serenidade e cautela na condução da política monetária.

'Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Ao reforçar uma dependência de dados para as futuras decisões, o BC reafirmou que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida 'à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.

Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, o Copom manteve a porta aberta para ajustes adicionais caso a evolução da atividade, da inflação e das expectativas de mercado justifique novos ⁠movimentos à frente.

'A principal mensagem ⁠foi a de que os próximos passos permanecem dependentes dos ​dados, com o ‌BC deliberadamente evitando sinalizar um encerramento definitivo do ciclo', disse.

Dados recentes têm mostrado um arrefecimento mais forte que o esperado para a inflação corrente, mas agentes de mercado seguem prevendo que o índice de preços permanecerá acima do centro da meta nos próximos anos, segundo o boletim Focus.

'O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e ⁠aumenta o custo de desinflação', disse a autoridade monetária no comunicado.

Nesta quarta, o BC melhorou ligeiramente sua própria projeção de ​inflação para 2026 em relação a junho, de 5,2% para 5,1%, bem acima do teto da meta, considerando o cenário de referência, que segue projeções ​de mercado para os juros. Para 2027, a projeção subiu de 3,7% para 3,8%.

Em relação ‌ao primeiro trimestre de 2028, que agora ​passou a ⁠ser o horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,2%, mesmo patamar estimado em junho no Relatório de Política Monetária da autarquia.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,10, mesmo nível usado na última reunião.

A meta contínua de inflação é de 3% no acumulado ​em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos -- o que na prática implica uma inflação de até 4,5%.

INFLAÇÃO DESACELERA, MAS HÁ RISCOS

No documento, a autarquia afirmou que a inflação cheia do país desacelerou, embora ainda esteja acima do teto da meta, e acrescentou que medidas subjacentes -- que desconsideram itens mais voláteis -- alcançaram nível “ligeiramente abaixo” do limite superior da meta.

O comunicado, no entanto, deixou inalterada a avaliação de que o balanço de riscos para a inflação à ​frente apresenta uma assimetria, com mais chances de alta do que de baixa.

Para o gestor de portfólio da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, o BC apresentou uma melhora no cenário de curto prazo que não se traduziu em uma comunicação mais leve sobre os próximos passos da política monetária.

'O Copom ainda mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes de juros na próxima reunião, mas ressalta os argumentos para uma pausa', avaliou.

Sobre a economia no Brasil, o BC disse que indicadores recentes apontam para uma moderação gradual da atividade, mas ainda em patamar resiliente e com mercado de trabalho aquecido.

Esse foi o quarto corte seguido de 0,25 ponto percentual na taxa após o BC iniciar em março um ciclo de “calibragem” da Selic, que havia atingido na ocasião o maior nível em quase duas décadas. Com ​a nova redução, os juros básicos vão agora ao patamar mais baixo desde março do ano passado, apesar de seguir em nível historicamente elevado.

A decisão veio em linha com ‌o esperado pelo mercado. Em pesquisa da Reuters, 38 dos 42 ⁠economistas projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,25 ponto neste mês, enquanto quatro esperavam manutenção.

No documento, o BC afirmou ainda que o cenário externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas, o que demanda ⁠cautela por parte dos países emergentes.

A decisão do Copom foi tomada de forma unânime pelo colegiado, em ⁠reunião realizada mais uma vez com desfalque, contando com apenas sete dos nove ⁠membros. Duas cadeiras do colegiado estão ⁠vagas ​desde o início do ano, após o término de mandatos de diretores, sem que o governo tenha indicado nomes para os cargos.

(Edição de Pedro Fonseca e Fabrício de Castro)

Reuters

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