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BC do Japão debateu riscos crescentes de alta dos preços mesmo após alta de juros em junho, mostra ata

BC do Japão debateu riscos crescentes de alta dos preços mesmo após alta de juros em junho, mostra ata

Reuters

05/08/2026

Placeholder - loading - Pedestres passam em frente ao prédio do Banco do Japão em Tóquio  18 de março de 2024. REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Pedestres passam em frente ao prédio do Banco do Japão em Tóquio 18 de março de 2024. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Leika Kihara

TÓQUIO, 5 Ago (Reuters) - As autoridades do ​Banco do Japão debateram os crescentes riscos de alta dos preços, que provavelmente exigiriam mais aumentos na taxa de juros, mesmo tendo elevado os custos dos empréstimos ao maior nível em 31 anos em junho, segundo a ata da reunião divulgada nesta quarta-feira, destacando o foco cada vez maior do banco central na inflação generalizada.

Alguns membros da diretoria afirmaram que a inflação ao consumidor provavelmente receberá um impulso significativo no segundo semestre do atual ano fiscal, já que as empresas planejam aumentos de preços para uma ampla gama de produtos, segundo a ata da reunião de junho.

“Mesmo que o conflito no Oriente ⁠Médio termine ⁠e os preços do petróleo bruto caiam, ​a pressão ‌inflacionária permanecerá, dados os altos custos de transporte e armazenamento associados à aquisição de fontes alternativas de abastecimento”, afirmou um membro, segundo a ata.

O Banco do Japão elevou a taxa de juros para 1%, o maior nível em 31 anos, na reunião de junho, uma ⁠vez que os custos crescentes dos combustíveis decorrentes do conflito no Oriente Médio se ​somaram às crescentes pressões inflacionárias devido ao iene fraco e ao mercado de trabalho apertado.

A ​ata também revelou que dois membros defenderam aumentos mais ‌rápidos dos juros para aproximar ​a ⁠taxa de política monetária do Banco do Japão dos níveis considerados neutros para a economia.

O debate destaca a crescente atenção dentro da diretoria às pressões generalizadas sobre os preços, o que reforça os argumentos a ​favor de outro aumento dos juros já em setembro.

Os preços no atacado aceleraram em junho no ritmo mais rápido em mais de três anos, com o índice de preços ao produtor subindo 7,1%. Analistas preveem que tais pressões sobre os preços elevem o núcleo da inflação ao consumidor, que ​permaneceu abaixo da meta de 2% em junho em grande parte devido ao efeito dos subsídios governamentais.

A maioria dos membros afirmou que o repasse dos preços elevados do petróleo avançou em um ritmo relativamente rápido nas transações entre empresas, o que poderia se espalhar para os preços ao consumidor em uma ampla gama de itens, segundo a ata.

“Dada essa situação e o fato de as empresas terem se tornado mais ativas no aumento dos preços, devemos nos preocupar mais com o risco de a ​inflação acelerar ainda mais”, afirmaram, segundo a ata.

Alguns membros também afirmaram que havia um risco crescente de que ‌mais empresas comecem a repassar não apenas ⁠os custos crescentes dos combustíveis, mas também os custos de mão de obra e transporte, aumentando assim a pressão para alta sobre a inflação ao consumidor, segundo a ata.

Em uma reunião subsequente, ⁠em julho, o Banco do Japão manteve a taxa de juros, ⁠mas afirmou que as futuras discussões sobre ⁠a política monetária se ⁠concentrarão ​nos riscos de alta dos preços, sinalizando a possibilidade de um aumento já em setembro.

(Reportagem de Leika Kihara)

Reuters

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