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    Assimetria dos riscos é menos intensa, mas cautela é melhor forma de atuar quanto aos juros, diz BC

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reiterou que a assimetria em seu balanço de riscos para a inflação persiste, apesar de menos intensa, razão pela qual segue firme em sua postura cautelosa quanto à condução da política monetária, mostrou ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira.

    Após reiterar que houve arrefecimento dos riscos inflacionários, especialmente quanto ao cenário externo, o BC destacou que 'os riscos altistas para a inflação permanecem relevantes e seguem com maior peso em seu balanço de riscos' -- cenário que impede que considere uma diminuição da Selic.

    'Os membros do Comitê debateram a melhor forma de atuação da política monetária diante de incertezas quanto aos cenários econômicos. Concluíram que a melhor forma de manter a trajetória da inflação em direção às metas é atuar com cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis', disse o BC.

    Na semana passada, o BC manteve a taxa de juros no seu piso histórico de 6,5 por cento, conforme amplamente esperado pelo mercado, e destacou a continuidade da assimetria apesar do quadro mais benigno para a inflação. Com isso, manteve a porta fechada para eventual queda dos juros básicos, a despeito do ambiente de inflação comportada e atividade econômica sem grande vigor.

    O comportamento inflacionário favorável vinha fomentando a discussão entre economistas sobre a possibilidade de o BC ser mais estimulativo, diminuindo os juros para ajudar a atividade anêmica.

    A inflação oficial brasileira acelerou a alta em janeiro devido à pressão dos preços de alimentos, mas ficou em 3,78 por cento no acumulado em 12 meses, abaixo da meta oficial de 4,25 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    A autoridade monetária, contudo, afastou a possibilidade por ora, atendo-se ao discurso que vem adotando desde dezembro ao lançar mão da expressão de 'cautela, serenidade e perseverança' duas vezes na ata.

    Sobre a economia brasileira, os membros do Copom inclusive debataram evidências de 'algum arrefecimento da atividade no quarto trimestre de 2018' na comparação com os três meses anteriores. Mesmo assim, avaliaram que a economia segue se comportando segundo o cenário básico do Copom, de recuperação gradual.

    Para o BC, uma aceleração do ritmo de retomada dependerá da diminuição de incertezas quanto à aprovação das reformas na economia, especialmente as de natureza fiscal. A reforma da Previdência, que é vista pelo mercado como a principal delas, ainda não foi formalmente apresentada pelo governo ao Congresso Nacional.

    Em outra frente, o BC também chamou a atenção para a importância de iniciativas para aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios.

    Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a ata mantém o cenário base do BC, propício a uma política monetária que estimule a economia nesse momento, mas ciente dos fatores que podem pressionar a inflação para cima.

    'Significa que os 6,5 por cento (para a Selic) estão adequados, mas não tem espaço para cortes, o que vai depender, claro, da evolução da conjuntura nos próximos meses', disse ele, que prevê a manutenção da taxa básica de juros neste patamar ao longo de todo o ano de 2019.

    CENÁRIO EXTERNO

    Na ata, o BC deu mais detalhes sobre sua avaliação da cena externa. Em relação aos Estados Unidos, ponderou que o risco de desaceleração econômica relevante parece ter afetado a curva de juros e o mercado acionário no país nos últimos meses do ano passado. Mas ressaltou que há ainda outro cenário para os EUA, que pressupõe a manutenção do vigor econômico.

    'Esses dois cenários têm implicações opostas para o rumo da política monetária do Fed (banco central norte-americano). Os membros do Copom concluíram que, ao menos até a definição de qual dos cenários é o mais provável, os riscos associados à normalização da política monetária nos EUA se reduziram', disse.

    De outro lado, a autoridade monetária apontou que os riscos associados a uma desaceleração da economia global se intensificaram diante da atividade com menor fôlego em 'algumas economias relevantes'. Ao quadro, somam-se incertezas associadas ao comércio internacional e ao Brexit, apontou o BC.

    De qualquer forma, o BC defendeu que a economia brasileira tem capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional em função da 'situação robusta' do seu balanço de pagamentos, da perspectiva de recuperação econômica e do ambiente de expectativas de inflação ancoradas.

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    Muitos membros do Fed defendem paciência em relação a altas futuras dos juros, diz ata

    Por Jason Lange

    WASHINGTON (Reuters) - Muitos membros do Federal Reserve afirmaram no mês passado que poderiam ser pacientes sobre os futuros aumentos da taxa de juros e alguns não apoiaram o aumento decidido pelo banco central norte-americano no último mês de 2018, mostrou a ata da reunião realizada em 18 e 19 de dezembro.

    A divulgação da ata nesta quarta-feira ocorreu em meio a um crescente coro de membros da autoridade monetária afirmando que o Fed não precisa ter pressa em elevar mais os juros em meio a preocupações com o estresse do mercado financeiro e com a desaceleração da economia global.

    A ata mostrou que os membros do Fed ainda achavam que a economia dos EUA estava em boa forma no mês passado, quando o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) elevou seu intervalo de metas para os empréstimos overnight em 0,25 ponto percentual. Eles também sinalizaram na reunião que estavam no caminho para dois aumentos de taxa em 2019.

    Mas a ata deixou claro que havia preocupações crescentes sobre a turbulência nos mercados financeiros e relatos de uma desaceleração global.

    'Muitos participantes expressaram a opinião de que, especialmente em um ambiente de pressões inflacionárias moderadas, o comitê poderia se dar ao luxo de ser mais paciente em relação a um aperto adicional', de acordo com a ata.

    O documento também mostrou que 'vários' membros disseram que, antes de mudar os juros novamente, era importante para o Fed avaliar os riscos que se tornaram 'mais pronunciados nos últimos meses'.

    Depois de sofrer perdas significativas no quarto trimestre, o mercado de ações do EUA continuava turbulento.

    Os membros do Fed também discutiram a possibilidade de abandonar completamente as orientações futuras para as perspectivas futuras da política de taxas de juros.

    'Vários participantes expressaram a opinião de que pode ser apropriado nas próximas reuniões remover completamente a orientação e substituí-la por uma linguagem que enfatize a natureza dependente de dados das decisões', de acordo com a ata.

    Desde a reunião de dezembro, um crescente número de membros do banco central dos EUA, incluindo o chairman do Fed, Jerome Powell, defendeu parcimônia. Na quarta-feira, vários membros do Fed disseram que seriam cautelosos quanto a novos aumentos nas taxas de juros.

    Os membros do Fed também discutiram na reunião de dezembro uma série de opções para mudanças na estrutura do BC norte-americano para a execução da política monetária, de acordo com a ata. Entre essas opções, uma incluía a possibilidade de uma maior 'reserva' de títulos.

    Atualmente, o Fed está reduzindo o tamanho de seu balanço e seu plano de longo prazo é 'não ter mais títulos do que o necessário para implementar a política monetária de forma eficiente e eficaz'.

    Mas os membros do Fed discutiram como 'pode ??ser apropriado, em vez disso, fornecer um colchão de reservas suficiente para garantir que o Federal Reserve opere consistentemente na parte plana da curva de demanda de reserva', de acordo com a ata.

    Alguns membros do Fed disseram que o BC dos EUA também poderia reduzir o ritmo de queda das reservas, à medida que se aproxima do nível desejado de longo prazo.

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    BC vê inflação favorável, mas alerta que riscos altistas seguem com maior peso

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central traçou nesta terça-feira um quadro favorável para a inflação, que joga para um futuro indeterminado eventual início de aperto nos juros após deixar de mencionar essa possibilidade em suas comunicações, mas alertou que os riscos altistas para o IPCA seguem fortes em seu radar.

    O alerta foi feito em ata do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual assinalou que esses riscos altistas, que são ligados à chance de deterioração do cenário externo para economias emergentes, 'permanecem relevantes e seguem com maior peso em seu balanço de riscos'.

    'Dessa forma, os membros do Copom concluíram que persiste, apesar de menos intensa, a assimetria no balanço de riscos para a inflação', disse o BC.

    Na avaliação da economista da Tendências Alessandra Ribeiro, a autoridade monetária buscou, com isso, brecar grandes euforias em relação à Selic, após alguns economistas passarem a aventar existência de espaço para uma queda adicional dos juros básicos.

    'O BC destacou que o balanço de riscos ainda é assimétrico no sentido negativo para a inflação. Melhorou, mas ainda tem uma assimetria', disse ela, que segue esperando elevação nos juros a partir de setembro de 2019, fechando o próximo ano a 7,75 por cento.

    Na ata, o BC reiterou que a leitura atual é favorável à manutenção da Selic abaixo da taxa estrutural da economia.

    'Expectativas de inflação ancoradas, medidas de inflação subjacente em níveis apropriados ou confortáveis, projeções que indicam inflação em direção às metas para 2019 e 2020 e elevado grau de ociosidade na economia prescrevem política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural', disse.

    Na semana passada, o BC manteve a taxa de juros no seu piso histórico de 6,5 por cento, conforme amplamente esperado pelo mercado, e indicou que vê um quadro mais benigno para a inflação, retirando qualquer menção a uma eventual alta dos juros à frente.

    Em pesquisa da Reuters, todos os 35 economistas consultados já esperavam a manutenção da Selic neste patamar, o que ocorreu pela sexta reunião consecutiva do Copom. Com as mudanças de tom adotadas pelo BC, muitos passaram a apostar numa demora maior para subida dos juros básicos, com a atividade econômica vagarosa contendo as pressões sobre a inflação.

    Em setembro, o BC havia dito pela primeira vez que poderia subir a Selic adiante caso houvesse deterioração do cenário inflacionário, conforme incertezas ligadas às eleições e um movimento global de aversão a risco pressionavam o câmbio aos valores mais altos desde a criação do real.

    Na semana passada, contudo, o BC limou essa possibilidade ao tirar de seu comunicado frase que vinha adotando até então, de que o 'estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora'.

    Em outra frente, o BC melhorou o quadro que vê para a inflação, ao apontar que aumentou o risco do nível de ociosidade elevado produzir trajetória prospectiva para a inflação abaixo do esperado. Ao mesmo tempo, destacou que vê chances menores de frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas econômicas. Os dois pontos foram reiterados na ata nesta terça-feira.

    Sobre o cenário internacional, associado à chance de pressão altista para o IPCA, o BC avaliou na ata que ele segue desafiador, com os principais riscos associados ao aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas e a incertezas referentes ao comércio global.

    Olhando para frente, o BC assinalou que todos os membros do Copom concordaram que a atual conjuntura 'recomenda manutenção de maior flexibilidade para condução da política monetária, o que implica abster-se de fornecer indicações sobre seus próximos passos'. Esses próximos passos, enfatizou o BC, vão continuar dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

    'Os membros do Copom ponderaram que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas. O Comitê entende que decisões pautadas por esses princípios constituem bom guia para a política monetária', avaliou o BC, em mensagem nova inserida na ata.

    Reagindo às últimas indicações do BC, os economistas que mais acertam as expectativas na pesquisa Focus passaram a ver a Selic a 7 por cento no final do próximo ano, de 7,25 por cento anteriormente. Para 2020, permanece a conta de que a taxa ficará a 8 por cento.

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    Inflação em 12 meses deve ter pico no 2º tri de 2019, mas depois convergir à meta, diz BC

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central afirmou que a inflação acumulada em 12 meses deve se elevar até atingir um pico por volta do segundo trimestre de 2019, recuando então em direção à meta ao longo do próximo ano, conforme ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira.

    O BC, contudo, não demonstrou preocupação com o esperado avanço de preços na economia, numa indicação de que o movimento não deve levá-lo a subir os juros tão cedo após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial ter reduzido temores de uma alta do dólar sobre o real.

    'Ajustes de preços relativos parecem ter contribuído para elevar a inflação para níveis compatíveis com as metas em contexto com expectativas ancoradas, o que não deveria constituir risco para a manutenção da inflação nesses níveis após concluídos os referidos ajustes', disse o BC no documento, assinalando que seguirá acompanhando essa trajetória.

    No documento, o BC também afirmou que já deveria estar claro que não há relação mecânica entre choques que produzem ajustes de preços relativos e a política monetária, razão pela qual irá excluir esta mensagem a partir da próxima reunião do Copom, 'com o entendimento que isso não deveria ser interpretado como mudança de sua forma de condução da política monetária'.

    Na semana passada, o BC manteve a taxa básica de juros em seu piso histórico de 6,50 por cento ao ano e ponderou que houve alguma melhora em seu balanço de riscos, corroborando apostas no mercado de que não subirá a Selic num horizonte próximo, embora tenha mantido a porta aberta para fazê-lo se houver piora no quadro inflacionário. A mensagem foi repetida na ata nesta terça-feira.

    Em pesquisa Reuters, 40 de 42 economistas já esperavam que o BC deixasse os juros inalterados, o que ocorreu pela quinta reunião consecutiva do Copom, a primeira após a realização das eleições presidenciais.

    'Reforçamos nossa projeção de manutenção da atual taxa até ao menos o primeiro trimestre de 2019, quando finalmente serão conhecidos em sua compleição a nova equipe econômica e os planos de governo que podem estimular a economia ao ponto de se necessitar a retirada dos estímulos', avaliou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, em nota.

    Na ata, o BC foi um pouco mais direto sobre o quadro que passou a ver ao assinalar que, em relação ao cenário doméstico, houve diminuição de incertezas, que produziu redução dos prêmios de risco embutidos nos preços de ativos brasileiros.

    '(Isso) contribuiu para redução do grau de assimetria no balanço de riscos para a inflação. Não obstante essa melhora, os membros do Copom concluíram que os riscos altistas para a inflação seguem com maior peso em seu balanço', afirmou o BC, em referência ao risco de frustração das expectativas sobre a continuidade de reformas na economia e de deterioração do cenário externo para economias emergentes.

    Em setembro, o BC havia dito pela primeira vez que poderia subir a Selic à frente caso houvesse piora do cenário inflacionário, conforme incertezas ligadas às eleições e um movimento global de aversão a risco pressionavam o câmbio aos valores mais altos desde a criação do real.

    Agora, a possibilidade de eventual aumento de juros seguiu na mesa, mas parece mais distante com o reconhecimento que o balanço de riscos mudou para melhor.

    Ao longo das últimas semanas, os mercados demonstraram forte alívio com o favoritismo e posterior vitória de Bolsonaro à Presidência do país, pelo fato de o capitão da reserva ter sido abraçado como o candidato reformista no embate com o petista Fernando Haddad.

    Em outubro, a moeda norte-americana teve a maior queda percentual ante o real desde junho de 2016, para o patamar de 3,70 reais. O recuo do dólar frente ao real pode baratear importados e insumos da indústria e agricultura, reforçando a perspectiva de inflação lenta nos próximos meses.

    Apesar de o IPCA em 12 meses ter subido para acima do centro da meta deste ano, de 4,5 por cento, o chamado núcleo da inflação, que não leva em conta componentes voláteis, tem ficado contido, em meio à lenta recuperação econômica e desemprego elevado.

    'No que tange à inflação subjacente, nos últimos meses suas diversas medidas se elevaram a partir de níveis considerados baixos, atingindo níveis que o Comitê julga apropriados – ou seja, de modo geral consistentes com as metas para a inflação', avaliou o BC na ata.

    Na mais recente pesquisa Focus, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, as perspectivas para inflação neste ano voltaram a cair, a 4,40 por cento, ao mesmo tempo em que os economistas que mais acertam as previsões passaram a ver a Selic mais baixa em 2019, a 7,5 por cento, ante 7,88 por cento anteriormente.

    Para o ano que vem, a projeção geral dos economistas é de um IPCA em 4,22 por cento, praticamente no centro da meta, que é de 4,25 por cento em 2019.

    Considerando a manutenção da Selic em 6,5 por cento e o dólar constante a 3,70 reais, o BC calcula um cenário parecido, com inflação de 4,4 por cento para 2018, 4,2 por cento para 2019 e 4,1 por cento para 2020, sendo que para o último ano o centro da meta de inflação é de 4,0 por cento.

    Em todos os anos, a margem para a meta é de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

    'As projeções de inflação divulgadas no documento estão muito próximas das metas no médio prazo, sugerindo um quadro relativamente benigno para a variação de preços', afirmou o Bradesco, em nota a clientes, prevendo estabilidade da Selic até o fim deste ano e elevação a 8 por cento ao fim de 2019.

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    Todos os integrantes do Fed endossaram alta de juros em setembro, mostra ata

    Por Jason Lange e Pete Schroeder

    WASHINGTON (Reuters) - Todos os membros votantes do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, apoiaram o aumento da taxa de juros no mês passado em um encontro onde eles também concordaram, de maneira geral, que os custos de empréstimos devem subir mais, de acordo com a ata do encontro divulgada nesta quarta-feira.

    Foi a terceira alta deste ano e a demonstração de unanimidade no encontro de 25 e 26 de setembro pode impulsionar as expectativas de que o comitê de definição dos juros do banco central vai aumentar os juros novamente em dezembro.

    'Todos os participantes expressaram a visão de que seria apropriado para o comitê continuar sua abordagem gradual de firmar a política monetária elevando o intervalo da meta para a taxa de juros', de acordo com a ata.

    Comparada à ata do encontro anterior do Fed realizado em agosto, o documento de setembro parece mostrar menos discussão sobre a perspectivas de que uma recessão poderia estar a caminho. Em vez disso, alguns dos membros do Fed aparentemente viram alguma indicação de maior força da economia dos EUA.

    'Quase todos os participantes viram poucas mudanças em suas avaliações sobre as perspectivas da economia, embora alguns deles tenham julgado que dados recentes indicam que o ritmo da atividade econômica estava mais forte do que o esperado mais cedo no ano', de acordo com a ata.

    Os membros votantes do Fed notaram que a relativa fraqueza da economia internacional poderia criar 'potencial para fortalecimento adicional do dólar' norte-americano, um fator que poderia pesar sobre exportações dos EUA.

    A economia dos EUA tem crescido neste ano em ritmo mais rápido do que muitos economistas julgam possível sem gerar inflação mais alta, com a taxa de desemprego ao nível mais baixo em décadas.

    O Fed vem subindo os juros desde 2015 e depois do aumento no mês passado parou de descrever a postura da política monetária como 'expansionista', significando que a instituição deixou de pensar que o nível das taxas de juros está estimulando a economia.

    A ata mostrou que 'quase todos' os membros votantes concordaram que é hora de parar de dizer que eles estavam estimulando a economia.

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    BC diz que repasse cambial tem se mostrado contido, mas reforça elevação de medidas de inflação

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central avaliou nesta terça-feira que o nível de repasse cambial tem se mostrado contido, com exceção de alguns preços administrados, mas reforçou que as medidas de inflação subjacente se elevaram para níveis apropriados, conforme ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira.

    Nesse cenário, o BC destacou seu compromisso de conduzir a política monetária visando manter a trajetória de inflação em linha com as metas e apontou que isso 'requer a flexibilidade para ajustar gradualmente a condução da política monetária quando e se houver necessidade'.

    Na semana passada, na última reunião antes da eleição do próximo presidente do Brasil, o BC manteve a taxa básica de juros em 6,50 por cento ao ano, seu menor nível histórico, mas apontou que pode subi-la adiante caso haja piora do quadro atual, conforme as incertezas ligadas às eleições vêm guiando uma escalada do dólar frente ao real.

    'É possível que os ajustes de preços relativos ocorridos recentemente, em contexto com expectativas ancoradas, tenham contribuído para elevar a inflação para níveis compatíveis com as metas, sem constituir risco para a manutenção nesses níveis após concluídos os referidos ajustes', trouxe o BC na ata.

    No documento, a autoridade monetária afirmou que seguirá acompanhando 'possível impacto mais perene de choques sobre a inflação'.

    Também voltou a dizer que não há relação mecânica entre os choques recentes e a política monetária, indicando que não reagirá com alta dos juros à valorização do dólar a não ser que haja impacto secundário na inflação prospectiva.

    Para o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Fernando Barbosa, a ata reforçou comunicação prévia do BC de que só elevará a Selic se houver piora adicional do balanço de riscos ou das expectativas de inflação.

    'Como as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas, e os efeitos secundários sobre os preços advindos de choques primários como a depreciação do real não têm se materializado, projetamos que a taxa Selic permanecerá estável em 6,5 por cento até o final de 2018', disse Barbosa em nota.

    Por sua vez, o economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima, avaliou que o BC vem pavimentando o caminho para antecipar o início gradual da alta dos juros já neste ano, particularmente pela volatilidade trazida pelas eleições.

    'Por enquanto, o grande peso tem sido a piora mundial, mas eu acho muito difícil que nos próximos dias o cenário eleitoral não afete os preços dos ativos', afirmou ele, citando o aumento do dólar já nesta sessão.

    'À luz do que eles escreveram, eu acho que se há viés, o viés é de subir na próxima reunião porque eu acho que o comportamento do CDS (Credit Default Swap, uma medida de risco país) e do câmbio vai lançar dúvidas sobre o baixo repasse da variação do câmbio para a inflação', acrescentou José Francisco.

    O próximo encontro do Copom ocorre em 30 e 31 de outubro, logo após o segundo turno das eleições.

    Na semana passada, o BC já tinha indicado um ambiente menos favorável para a inflação, com riscos mais elevados, em referência à deterioração do cenário externo para emergentes e à possibilidade de frustração da continuidade de reformas econômicas no país.

    Sobre a cena externa, o BC descreveu nesta terça-feira riscos associados principalmente à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas e incertezas referentes ao comércio global.

    Olhando para o cenário doméstico, reforçou que os ajustes e reformas econômicas 'são fundamentais' para a sustentabilidade da inflação baixa, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia. E disse que a percepção de continuidade dessa agenda afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

    Os mercados vêm reagindo às incertezas da corrida presidencial e a desdobramentos na cena externa ligados à subida dos juros nos Estados Unidos, guerra comercial e problemas na Argentina e Turquia. No ano, o dólar acumula um avanço de mais de 20 por cento no ano sobre o real.

    O fortalecimento da moeda norte-americana pode aumentar os preços de importados e acelerar a inflação, embora o desemprego elevado e a alta capacidade ociosa das empresas deva limitar esse repasse.

    Na ata, o BC destacou que o elevado grau de ociosidade na economia ainda prescreve política monetária estimulativa. Também ponderou que a intensidade do repasse cambial depende desse fator e também da ancoragem das expectativas de inflação, sendo que continuará de olho em ambos.

    Na pesquisa Focus mais recente, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, as expectativas para a inflação subiram a 4,28 por cento este ano e a 4,18 por cento em 2019, tendo como pano de fundo projeções mais altas para o dólar.

    Mesmo com a elevação as estimativas continuaram dentro da meta, cujo centro para este ano é de 4,50 por cento e, para 2019, de 4,25 por cento, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos nos dois casos.

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    Inflação fica 'confortável' sem choque adicional, diz BC, mas prefere não dar sinal explícito sobre juros

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reforçou nesta terça-feira que o cenário de inflação continuará favorável se não houver choques adicionais, mas apontou que o quadro é de incerteza e que, portanto, o melhor é não dar sinalizações explícitas sobre seus próximos passos sobre a trajetória dos juros básicos.

    'Todos (os membros) avaliaram que, na ausência de choques adicionais, o cenário inflacionário deve revelar-se confortável', trouxe a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. 'Entretanto, o maior nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para condução da política monetária, o que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre os próximos passos', acrescentou.

    Na semana passada, o BC manteve a Selic em 6,50 por cento ao ano, ressaltando que a retomada da atividade econômica será ainda mais gradual do que a esperada antes da greve dos caminhoneiros, e que o aumento da inflação decorrente da paralisação vinha se mostrando temporário.

    Especialistas leram a mensagem como um sinal de que o BC não deve mexer nos juros tão cedo, em meio à alta ociosidade da economia e expectativas de inflação ancoradas. Na pesquisa Focus mais recente feita pelo BC junto a uma centena de economistas, foram mantidas as previsões de que a Selic permanecerá em seu menor nível histórico neste ano, subindo a 8 por cento em 2019.

    'A perspectiva de que não haverá deterioração das expectativas de inflação para 2019 nos próximos meses e que, dissipados os efeitos da paralisação no setor de transportes, a atividade econômica continuará se recuperando de forma bastante gradual', trouxe o banco Bradesco em relatório, para quem a Selic seguirá em 6,50 por cento até o final de 2018.

    Na ata, o BC destacou novamente que a atuação da política monetária se dará exclusivamente com foco na evolução das projeções e expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da atividade econômica.

    'Choques que produzam ajustes de preços relativos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva. É por meio desses efeitos secundários que esses choques podem afetar as projeções e expectativas de inflação e alterar o balanço de riscos', informou o BC.

    'Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia e pelas expectativas de inflação ancoradas nas metas. Portanto, não há relação mecânica entre choques recentes e a política monetária', acrescentou.

    Sobre a inflação, o BC afirmou que as projeções para julho e agosto corroboram a visão de que os efeitos dos choques advindos da greve dos caminhoneiros devem ser passageiros.

    Por outro lado, ressaltou que o risco de continuidade do processo de ajustes e reformas na economia brasileira e o risco associado a deterioração do cenário para economias emergentes 'permanecem em níveis mais elevados'.

    A próxima reunião do Copom acontece em 18 e 19 de setembro, antes do primeiro turno das eleições presidenciais, em 7 de outubro. O pleito, que promete ser o mais acirrado em décadas, ganha cada vez mais espaço no radar dos investidores diante sobretudo do desequilíbrio fiscal do país.

    Na ata, o BC voltou a dizer que a aprovação de reformas na economia é fundamental 'para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia'. E que a percepção de continuidade ou não dessa agenda afeta as expectativas e projeções macroeconômicas.

    'O que é muito binário aqui é o resultado da eleição (de outubro). A gente pode ir para um cenário tranquilo ou muito complicado, que exigiria alta de juros até o final do ano. Esse é o grande evento determinador no futuro dos juros', avaliou a sócia responsável pela área de Macroeconomia da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, acrescentando que, mesmo assim, o quadro inflacionário é confortável e segue prevendo a Selic em 6,5 por cento até o segundo semestre de 2019.

    Sobre o cenário externo, o BC apontou que 'houve certa acomodação das condições financeiras nos mercados internacionais, mas o cenário se mantém mais desafiador'.

    Após o câmbio mostrar trégua em julho, depois de forte alta do dólar sobre o real nos meses anteriores, o BC também ponderou que o grau de repasse cambial depende de vários fatores, como o nível de ociosidade na economia e a ancoragem das expectativas de inflação. E que seguirá acompanhando essas medidas.

    (Edição de Patrícia Duarte)

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    Com mais incertezas, BC prefere não sinalizar próximos passos da política monetária, mostra ata do Copom

    SÃO PAULO (Reuters) - Diante das incertezas que rondam a economia brasileira, o Banco Central decidiu não se comprometer com sinalizações sobre seus próximos passos na política monetária, mas reafirmou que ela tem foco exclusivo na inflação, seus balanços de risco e atividade econômica.

    Em termos de sinalização futura, todos (os membros) concordaram que o maior nível de incerteza da atual conjuntura recomenda se abster de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária , trouxe a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulgada nesta terça-feira.

    E adicionou: Os membros do Copom reiteraram a importância de reafirmar a atuação da política monetária exclusivamente com foco na evolução das projeções e expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da atividade econômica .

    Na semana passada, o BC manteve a taxa básica de juros na mínima histórica em 6,50 por cento ao ano, como esperado e pela segunda vez seguida, citando piora no mercado externo e, ao mesmo tempo, recuperação mais gradual da economia brasileira neste ano após a greve dos caminhoneiros de maio, que afetou o abastecimento no país todo.

    No Copom de maio, o BC chegou a dizer que o atual nível da taxa básica de juros deveria ser mantida nas suas próximas reuniões, referência que retirou na semana passada.

    As projeções sobre o desempenho da economia têm se tornado cada vez mais pessimistas. Pesquisa Focus do BC, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país neste ano estava em 1,55 por cento, depois de ter chegado a 3 por cento alguns meses antes.

    Na ata, o BC reafirmou que a greve dificulta a avaliação sobre a atividade e que os dados de maio e possivelmente de junho deverão refletir os efeitos da paralisação. Mas acrescentou que, ao logo de julho e agosto, a evolução da economia deve indicar com mais clareza o ritmo da recuperação, que poderá se mostrar mais ou menos intensa .

    O BC repetiu ainda que o vê a continuidade do processo de recuperação da atividade, mas com ritmo mais gradual do que o visto antes da greve, que também vai gerar mais inflação no curto prazo. Mas, o cenário básico antecipa que esses efeitos devem ser temporários, constituindo ajuste de preços relativos aos referidos choques .

    (Os membros do Copom) concordaram que, no curto prazo, deverá ser mais difícil verificar se a evolução da economia segue em linha com seu cenário básico para o médio e longo prazos , acrescentou.

    O mercado, em geral, tem visto que a inflação provavelmente terminará o ano a 4 por cento, abaixo do centro da meta de 4,5 por cento pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, acelerando então a 4,10 por cento em 2019. E também vê que a Selic não será alterada até o final deste ano. Para o fim de 2019, a expectativa é de que ela vá a 8 por cento.

    Sobre o cenário internacional, o BC informou que em seu cenário básico vê normalização gradual da política monetária nos países centrais e que há risco de maior impacto desse processo sobre economias emergentes, o que poderá reforçar os ajustes em preços de ativos e volatilidade nas condições financeiras no mercado internacional.

    E reforçou que os choques de preços relativos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva e que não há relação mecânica entre choques recentes e a política monetária .

    Desde do Copom em 16 de maio, o dólar chegou a saltar quase 7 por cento até o dia 7 deste mês, pico do período e quando fechou a 3,9258 reais. Em quatro meses até maio, a moeda norte-americana acumulou valorização de 17,5 por cento.

    Diante disso, o BC intensificou ainda mais sua intervenção no mercado cambial e, deste então, o dólar tem se estabilizado ao redor do patamar de 3,75 reais.

    (Por Patrícia Duarte)

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