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BC do Japão sinaliza chance de alta de juros enquanto Tóquio sustenta o iene

BC do Japão sinaliza chance de alta de juros enquanto Tóquio sustenta o iene

Reuters

31/07/2026

Placeholder - loading - Sede do Banco do Japão em Tóquio 15 de junho de 2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Sede do Banco do Japão em Tóquio 15 de junho de 2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Leika Kihara e Makiko Yamazaki

TÓQUIO, 31 Jul (Reuters) - O ​Banco do Japão alertou nesta sexta-feira, pela primeira vez, que a inflação subjacente pode ultrapassar sua meta e afirmou que as futuras discussões sobre política monetária se concentrarão nos riscos de alta dos preços, sinalizando a possibilidade de um aumento da taxa de juros já em setembro.

Esses sinais hawkish surgiram após a suposta intervenção do governo nos mercados de Nova York na quinta-feira com compra de ienes, o que ressaltou a preocupação de Tóquio com os impactos negativos que o iene fraco está causando às famílias por meio do aumento dos custos de importação.

“Como a inflação subjacente está se aproximando de nossa meta de 2%, devemos estar ⁠mais atentos ⁠do que nunca aos riscos de alta dos ​preços. Debateremos ‌nossa política monetária a partir de nossa próxima reunião tendo esse ponto em mente”, disse o presidente do banco central, Kazuo Ueda, em coletiva de imprensa, referindo-se à reunião de setembro.

“Em um momento em que há o risco de a inflação subjacente ultrapassar a meta, adiar as ⁠medidas necessárias poderia concretizar esse risco e prejudicar a economia”, disse ele, alertando que ​os riscos de a inflação superar a meta são “grandes demais para serem ignorados”.

Na reunião de política monetária ​que terminou nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve ‌a taxa de juros de ​curto prazo em ⁠1%, como amplamente esperado após um aumento para o nível mais alto em 31 anos no mês passado.

A decisão do Banco do Japão e seu comunicado hawkish impulsionaram o rendimento dos títulos do governo japonês de dois ​anos. O iene inicialmente apresentou pouca reação à decisão, mas subiu acentuadamente no pregão europeu, com os operadores atentos à possibilidade de uma nova intervenção. Não ficou imediatamente claro o que motivou o movimento do mercado nesta sexta-feira nem se as autoridades japonesas estavam atuando no mercado.

O membro da diretoria Hajime Takata ​foi o único a votar contra a decisão, defendendo um aumento dos juros para 1,25% para responder aos riscos inflacionários decorrentes de choques na demanda externa.

Em um relatório trimestral de perspectivas, o Banco do Japão destacou a forte demanda por IA e as flutuações cambiais, bem como os acontecimentos no Oriente Médio, como principais riscos inflacionários que podem afetar o ritmo e o momento de futuros aumentos da taxa de juros.

“Existe o risco de que a inflação subjacente possa ultrapassar nossa meta de 2%”, afirmou o relatório, emitindo ​o alerta mais forte até o momento sobre a possibilidade de a inflação superar a meta.

Essa linguagem foi mais ‌forte do que a utilizada no relatório ⁠anterior, divulgado em abril, no qual o banco afirmou que a inflação subjacente se aproximava de 2% e exigia vigilância em relação aos riscos de alta dos preços.

“A mensagem de Ueda na coletiva de ⁠imprensa foi clara: maior ênfase no fato de que a desvalorização ⁠do iene está contribuindo cada vez mais para ⁠a inflação”, disse Masahiko ⁠Loo, ​estrategista sênior de renda fixa da State Street Investment Management em Tóquio.

(Reportagem adicional de Satoshi Sugiyama e Kantaro Komiya)

Reuters

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