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Brasil não é quintal de ninguém e não permitirá interferência nas eleições , diz Lula na ONU

Brasil não é quintal de ninguém e não permitirá interferência nas eleições , diz Lula na ONU

Reuters

22/09/2026

Placeholder - loading - Presidente Lula na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York 22 de setembro de 2026 REUTERS/Shannon Stapleton
Presidente Lula na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York 22 de setembro de 2026 REUTERS/Shannon Stapleton

Atualizada em  22/09/2026

Por Lisandra Paraguassu

22 Set (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ​abriu nesta terça-feira a Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso com recados para dentro e fora do país, alertando contra as tentativas de interferências internas e externas nas eleições brasileiras e afirmando que o país 'não é quintal de ninguém.'

Lula não citou o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem do seu principal opositor nas eleições de outubro no Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas indicou que eles eram os seus principais alvos.

'Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão. Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país', afirmou. 'Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.'

Lula abriu ⁠o debate da Assembleia ⁠Geral das Nações Unidas nesta terça pela 10ª vez, ​uma vez que ‌o Brasil tradicionalmente sempre é o primeiro país a discursar no encontro anual. Em todos os seus três mandatos, não foi a Nova York apenas duas vezes.

Em sua fala, os recados ao governo norte-americano foram constantes. Apesar de ter aberto um canal com Trump justamente na ONU ano passado, a relação entre os dois países está, de novo, em um momento difícil, ⁠com novas tarifas comerciais e alegações de ingerência do Departamento de Estado dos EUA nas eleições, em favor ​de Flávio Bolsonaro.

'Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo num ​contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas', afirmou. 'O Brasil não cabe no quintal ‌de ninguém. Precisamos de parceiros com ​uma agenda ⁠positiva, que fomente o desenvolvimento.'

Ao contrário do ano passado, desta vez não houve encontro nos corredores entre os dois presidentes, apesar de Trump discursar logo após Lula . Em 2025, uma negociação entre as equipes dos dois governos gerou a uma conversa de menos de um minuto, mas que ​serviu para quebrar o gelo entre ambos e levou a outros encontros e conversas telefônicas, que terminaram por ajudar a aliviar as tarifas comerciais contra o Brasil.

Dessa vez, não houve negociação e os presidentes também não se cruzaram, disseram à Reuters fontes da comitiva presidencial brasileira. Mas as investidas do governo Trump na América Latina foram um dos pontos centrais do discurso de Lula.

'A democracia está novamente ​em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos', disse, acrescentando em seguida que a Venezuela 'merece definir o próprio destino.'

As críticas, no entanto, não se restringiram aos EUA e à oposição brasileira. Lula citou diretamente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao acusá-lo de tentar exterminar a população palestina da Faixa de Gaza, no que foi aplaudido pela audiência.

ELEIÇÃO

O combate às chamadas 'bets' e o fim da escala 6x1, passando por minerais críticos e combate ao crime organizado e à corrupção -- temas que são hoje centrais na campanha presidencial -- também entraram no discurso nas Nações Unidas.

'O ​Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades', disse, completando, em mais ‌uma referência às ações norte-americanas na América Latina: 'Mas não ⁠vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.'

Ao longo ⁠de sua fala, Lula foi aplaudido quatro vezes pela audiência. Além da crítica à Israel, ⁠a citação ao reconhecimento pela ONU do crime da escravidão ⁠de africanos e a defesa ⁠dos ​direitos das mulheres foram outros pontos destacados pela audiência de chefes de Estado e diplomatas.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu, em Brasília; Edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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