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Brasil tem superávit comercial de US$7,1 bilhões em julho, mas vendas para os EUA caem

Brasil tem superávit comercial de US$7,1 bilhões em julho, mas vendas para os EUA caem

Reuters

06/08/2026

Placeholder - loading - Navio e contêineres no Porto de Santos 23 de setembro de 2019 REUTERS/Amanda Perobelli
Navio e contêineres no Porto de Santos 23 de setembro de 2019 REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  06/08/2026

BRASÍLIA, 6 Ago (Reuters) - A balança comercial brasileira registrou ​superávit de US$7,067 bilhões em julho, abaixo do esperado pelo mercado e com retração das vendas para os Estados Unidos, apontou nesta quinta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O desempenho é fruto de US$34,119 bilhões em exportações, uma alta de 6,2% na comparação com julho do ano passado, e US$27,052 bilhões em importações, elevação de 7,6%.

O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado, que previa em pesquisa da Reuters um saldo positivo de US$8,4 bilhões, mas ficou 1,0% acima do dado observado em julho de 2025, um superávit de US$7,0 bilhões.

Nas exportações, foi registrada alta ⁠de ⁠10,8% no preço médio dos produtos, o ​que compensou ‌um recuo de 4,3% no volume exportado. Do lado das importações, a elevação dos preços foi ainda mais forte, de 12,1%, com uma queda mais modesta, de 3,2%, no volume.

No mês, houve aumento das exportações em todos os setores, com destaque para uma ⁠alta de 10,8% na indústria extrativa, seguida de crescimentos de 9,3% na agropecuária ​e de 2,4% na indústria de transformação.

Entre os destaques estão os embarques de soja, que ​cresceram 17,4% no período, óleos brutos de petróleo, com ‌alta de 23,8%, e ​óleos ⁠combustíveis de petróleo, com crescimento de 63%. Também houve ganhos nas vendas de celulose, carnes de aves e farelo de soja.

Em meio às novas tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil, com início da ​aplicação ao longo do mês de julho, o país norte-americano seguiu perdendo participação nas exportações brasileiras. Os EUA tiveram em julho uma fatia de 10,7% das vendas do Brasil, contra 11,9% um ano antes.

No mês, as exportações do Brasil para os EUA caíram 5% na comparação ​com o mesmo período do ano anterior.

O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, ponderou que a queda nas vendas para os EUA em julho ainda não tem relação direta com as novas tarifas, que passaram a valer com efetividade apenas nos últimos dias do mês.

“É possível afirmar que o movimento de julho ainda não sofreu esse impacto diretamente”, disse.

Ele acrescentou que houve queda nas exportações aos EUA de produtos que receberam tratamento diferenciado e ​não são tarifados pelo governo do país norte-americano, como aeronaves, ferro-gusa, café e suco de frutas, o ‌que indica que a queda nas vendas ⁠está relacionada a movimentos de mercado, sem relação com a política tarifária.

Do lado das importações, houve crescimento mais intenso nas compras de combustíveis (+37,0%), com altas também em bens de consumo (+13,0%), ⁠bens de capital (+9,4%) e bens intermediários (+1,3%).

Nos primeiros sete meses do ⁠ano, o país acumulou um superávit comercial ⁠de US$49,039 bilhões, acima ⁠do ​saldo positivo de US$37,184 bilhões do mesmo período de 2025.

(Por Bernardo Caram, edição de Fabrício de Castro)

Reuters

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