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Inflação teve desaceleração grande, mas núcleo e expectativas seguem elevados, diz Campos Neto

Inflação teve desaceleração grande, mas núcleo e expectativas seguem elevados, diz Campos Neto

Reuters

22/05/2023

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante cerimônia em Brasília 07/03/2023 REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante cerimônia em Brasília 07/03/2023 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  22/05/2023

Por Luana Maria Benedito e Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira que tem observado uma desaceleração grande na inflação brasileira, mas que o núcleo dos preços ainda segue muito alto e as expectativas de alta dos preços permanecem elevadas.

'A gente vê uma desaceleração da inflação grande, o núcleo tem desacelerado, mas está em 7,3%, que é um número bastante alto, muito alto, muito acima da meta', disse Campos Neto durante seminário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, na capital paulista.

'A gente tem esse problema das expectativas de inflação longas, que colaram ali no 4(%), e estão bastante persistentes', acrescentou ele, atribuindo esse cenário a incertezas sobre qual será a nova meta de inflação do Brasil, preocupações fiscais que já estão sendo 'endereçadas' e ruídos entre o governo e o BC, que, segundo Campos Neto, minam a credibilidade da autoridade monetária.

O relatório Focus, do BC, apontou nesta segunda-feira uma redução expressiva da projeção do mercado para o IPCA este ano, com a mediana das estimativas caindo de 6,03% há uma semana para 5,80%, em movimento que Campos Neto atribuiu à mudança recente da política de preços da Petrobras, que levou a uma redução dos preços dos combustíveis. A projeção para 2024, no entanto, sofreu pouca alteração, recuando de 4,15% para 4,13%.

No evento, Campos Neto afirmou ainda que não é verdade que o Brasil nunca atinge suas metas de inflação, em meio a debate no governo sobre possivelmente alterar o calendário para cumprimento dos objetivos, e, embora tenha defendido 'harmonia' entre as políticas fiscal e monetária, ressalvou que são duas esferas que têm 'tempos diferentes'.

'Nem sempre eles têm o mesmo ciclo... O tempo de efeito é diferente, por muitas vezes é importante a gente (Banco Central) comunicar e olhar muito mais à frente... O fiscal tem efeito muito mais imediato', argumentou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, há tempos tem pedido 'harmonização entre fiscal e monetário', à medida que ele e outros membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionam o BC por redução na taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, em meio a esforços para aprovar um novo arcabouço para as contas públicas.

Para Campos Neto, o arcabouço eliminou completamente o risco de a dívida pública simplesmente sair de controle, ainda que haja uma preocupação da dinâmica entre receitas e despesas.

'Acho que o ministro Haddad trabalhou muito duro, em um ambiente em que até membros do governo foram contra, pelo menos é a percepção que passa para quem está de fora', disse Campos Neto, reiterando que o efeito das regras fiscais sobre o canal de expectativas dos agentes econômicos é que abre espaço para o BC atuar.

APELO POR REDUÇÃO DA SELIC

Em fala no mesmo evento, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também elogiou a proposta de novo marco fiscal, que deve ser votada na Câmara dos Deputados na quarta-feira e depois ser analisada pelos senadores.

'É um regime fiscal que considero que foi o possível de ser feito. É o melhor possível que poderia ter sido feito neste momento', afirmou Pacheco no seminário.

O presidente do Senado também fez um 'apelo' para que o país e suas instituições encontrem caminhos para a redução gradual da taxa básica de juros e disse que no atual patamar, de 13,75%, ela é 'inibidora' do programa de governo de Lula.

'O que temos de buscar... é de fato fazer um apelo para que a nação brasileira e suas instituições encontrem o caminho possível, o mais rapidamente possível, para a redução da taxa básica de juros de forma gradativa, sem movimentos bruscos', disse.

Pacheco avaliou ainda que existem 'argumentos, elementos e fundamentos' para o início da redução dos juros pelo Banco Central, ao mesmo tempo que elogiou a atuação da autoridade monetária em 2022, embora tenha pontuado que o momento agora é outro.

'Hoje nós temos um ambiente, na minha concepção, propício para uma redução gradativa da taxa de juros, e eu espero muito que o Banco Central tenha essa compreensão do momento de 2023, que estamos vivendo, que é diferente do momento de 2022', disse.

Reuters

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