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Campos Neto diz que compromisso consensual para trazer inflação à meta está 'sedimentado' no BC

Campos Neto diz que compromisso consensual para trazer inflação à meta está 'sedimentado' no BC

Reuters

12/08/2024

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa do evento ReutersNEXT Newsmaker em Nova York, EUA 09/11/2023 REUTERS/Brendan McDermid
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa do evento ReutersNEXT Newsmaker em Nova York, EUA 09/11/2023 REUTERS/Brendan McDermid

(Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira que está 'sedimentado' entre os diretores da autarquia a mensagem consensual de que farão o que for preciso para trazer a inflação para a meta independentemente de quem for o presidente da autarquia.

Durante palestra em evento de inauguração de novo campus da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, Campos Neto ainda afirmou que o ambiente de inflação acima da meta e expectativas desancoradas é motivo de preocupação, acrescentando que o BC tem feito o máximo para mostrar que suas decisões são técnicas.

'A gente tem tido uma mensagem inequívoca e consensual de que o BC vai fazer o que for preciso para trazer a inflação para a meta, é muito importante, e é independente de quem seja o presidente, de qual seja o mandato, isso está bem sedimentado no grupo que temos hoje', disse.

'A gente tem feito o máximo possível no sentido de mostrar que é técnico, que o grupo é coeso, que não importa quem vai estar lá que o BC vai agir sempre de forma técnica', acrescentou.

Ele afirmou que a inflação acumulada em 12 meses no Brasil -- que alcançou em julho o teto da meta, de 4,5% -- vinha desacelerando e recentemente 'subiu um pouquinho', ponderando que os itens menos voláteis estão relativamente comportados.

Na apresentação, Campos Neto disse que as políticas fiscal e monetária são fatores que geram incerteza e elevação de prêmio de risco no país, argumentando que o BC tem feito esforço para mostrar que trabalha com seriedade para levar a inflação à meta de 3%.

Do lado fiscal, ele disse que o governo também tem feito um esforço grande e que o prêmio de risco tende a diminuir se o efeito dessa atuação se concretizar. Ele ponderou que 'tem muito exagero' nas percepções de mercado, que não acredita nos compromissos fixados pelo governo.

Em relação à atividade econômica, o presidente do BC disse que o país continua a apresentar números bons, acima do esperado, enfatizando que as surpresas têm se disseminado um pouco mais.

O presidente do BC voltou a afirmar que o juro real -- diferença entre a taxa básica de juros e a inflação -- no Brasil é muito alto, mas roda em patamar mais baixo do que o observado historicamente no país.

Ele argumentou ser mais importante olhar para o esforço monetário, a diferença entre o juro real e o juro neutro, patamar que não estimula nem retrai a atividade. Isso porque uma taxa neutra mais alta reduz o efeito da taxa básica de juros sobre a economia.

Atualmente, o BC trabalha com uma hipótese de taxa real neutra de 4,75%, patamar alcançado após ter sido elevado em 0,25 ponto percentual em junho.

(Por Bernardo Caram, reportagem adicional de Fernando Cardoso)

Reuters

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