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Caso dele é de polícia, diz Lula sobre áudio de Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Caso dele é de polícia, diz Lula sobre áudio de Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Reuters

14/05/2026

Placeholder - loading - Senador Flávio Bolsonaro 28 de março de 2026 REUTERS/Daniel Cole
Senador Flávio Bolsonaro 28 de março de 2026 REUTERS/Daniel Cole

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 14 Mai (Reuters) - O presidente Luiz Inácio ​Lula da Silva se recusou a comentar o áudio que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário eleitoral, com o ex-dono do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, dizendo que esse é um problema de polícia.

'Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então, vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras e tratar do emprego', disse Lula ao ser questionado por um repórter da ⁠CNN Brasil enquanto ⁠discursava na Bahia.

A mensagem de voz, que ​foi publicada ‌pelo site de notícias The Intercept Brasil na quarta-feira, mostra Flávio pedindo a Vorcaro que retomasse o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro negou ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado ⁠recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem ​em troca. Procurada, a defesa de Vorcaro não quis comentar a reportagem do Intercept.

SCRIPT

Lula seguiu o script ​que ele mesmo vem traçando, de não entrar em confronto ‌direto com Flávio Bolsonaro antes ​das ⁠eleições. Fontes explicaram à Reuters que a postura de Lula tem sido de falar de seu governo e tem cobrado que ministros façam o mesmo.

'Ele acredita que o governo tem muita coisa para mostrar que as pessoas ainda ​não sabem, e essa tem que ser a prioridade agora. Tem muito tempo para a eleição', disse uma das fontes.

O enfrentamento político, defende o Planalto, precisa ser feito pelo PT, assim como deputados e candidatos aliados ao presidente.

Com o escândalo na rua, o partido assumiu esse papel e rapidamente ocupou as redes sociais ​usando petistas e perfis aliados à esquerda com ataque ao senador, vinculando-o a Vorcaro que, preso, hoje é um personagem radioativo em Brasília.

Um dos principais nomes ligados a Lula, o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad deu entrevistas afirmando que Vorcaro e os Bolsonaro 'são uma coisa só'.

'Tem focinho de porco, rabo de porco, orelha de porco... o que estamos falando? Toda relação de Vorcaro é com o governo Bolsonaro', disse.

Deputados também distribuíram nas redes um vídeo feito por inteligência artificial apontando os laços do ex-presidente e seu governo com ​Vorcaro, desde as doações de campanha a Jair Bolsonaro aos áudios de Flávio, passando por Roberto Campos Neto que, ‌como presidente do Banco Central, autorizou o ⁠funcionamento do Banco Master.

A avaliação é que o episódio é um imenso desgaste para a campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente depois da operação da Polícia Federal da semana passada que mirou os laços do senador ⁠Ciro Nogueira -- ex-ministro de Bolsonaro -- com Vorcaro.

Mesmo que o núcleo duro ⁠do bolsonarismo não deixe a campanha de Flávio, disse ⁠uma fonte, possivelmente parte ⁠dos ​eleitores de centro abandonarão o filho mais velho de Jair Bolsonaro.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu, em BrasíliaEdição de Alexandre Caverni)

Reuters

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