Chanceler cubano acusa EUA de ameaçar países que votam a favor de Cuba na ONU
Chanceler cubano acusa EUA de ameaçar países que votam a favor de Cuba na ONU
Reuters
21/10/2026
Atualizada em 21/10/2026
Por Ayose Naranjo
HAVANA, 21 Out (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou os Estados Unidos nesta quarta-feira de ameaçar os Estados-membros da Organização das Nações Unidas com sanções caso se posicionem ao lado de Cuba na votação anual da ONU, na próxima semana, sobre uma resolução que pede o fim do embargo norte-americano à ilha.
“O Departamento de Estado dos EUA está exercendo uma pressão sem precedentes — às vezes de maneira pessoal e descarada pelo próprio secretário de Estado — para que os Estados-membros da ONU mudem seus votos”, disse Rodríguez.
As tensões entre os dois países estão aumentando à medida que se aproxima a votação da resolução não vinculativa, que vem sendo aprovada a favor de Cuba na Assembleia Geral da ONU por ampla maioria todos os anos desde 1992.
Rodríguez disse a repórteres em uma coletiva de imprensa em Havana que autoridades norte-americanas haviam ameaçado negar vistos e impor sanções comerciais e econômicas aos membros da ONU que se alinhassem com Cuba na ONU.
“Esses métodos de pressão incluem a ameaça de impor tarifas punitivas, a suspensão de programas de cooperação..., o apoio a forças que se opõem aos governos, a ameaça de incentivar a derrubada desses governos ou interferir em seus processos eleitorais, e a ameaça de desestabilizar politicamente esses países”, disse Rodríguez.
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as alegações.
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, no início desta semana, exortou os países a votarem contra a resolução de apoio a Cuba, chamando-a de “uma desculpa para justificar a opressão, para justificar o sofrimento do povo cubano”.
A votação da ONU para condenar o bloqueio dos EUA deve ocorrer nos dias 27 e 28 de outubro, segundo autoridades.
Os EUA impõem um embargo comercial a Cuba há mais de 60 anos.
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, no entanto, intensificou a pressão sobre Cuba desde janeiro, impondo um bloqueio de combustível à ilha e sanções severas contra uma série de autoridades cubanas e entidades estatais.
A votação da ONU contra o bloqueio dos EUA pode ter peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo da era da Guerra Fria.
(Reportagem de Ayose Naranjo; )
Reuters

