China concorda com rara visita de enviado do Vaticano para negociações sobre Ucrânia
China concorda com rara visita de enviado do Vaticano para negociações sobre Ucrânia
Reuters
13/09/2023
PEQUIM (Reuters) - O Ministério das Relações Exteriores da China disse nesta quarta-feira que o enviado do Vaticano, cardeal Matteo Zuppi, visitará a China para conversações sobre a resolução do conflito na Ucrânia, apesar da falta de relações bilaterais formais entre Pequim e a Santa Sé.
Li Hui, enviado especial da China para assuntos eurasiáticos, se reunirá com Zuppi, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa.
'Sobre a questão da Ucrânia, a China sempre se comprometeu a promover conversações de paz', afirmou Mao. 'Estamos prontos para trabalhar com todas as partes e continuar a desempenhar um papel construtivo na promoção da redução das tensões e do esfriamento da situação.'
Desde que as forças russas invadiram a Ucrânia em fevereiro de 2022, a China se absteve de condenar sua aliada Moscou, embora tenha pedido repetidamente um cessar-fogo e uma solução política para a crise.
Zuppi estará na China de quarta a sexta-feira como parte de um esforço diplomático para facilitar a paz na Ucrânia, disse o Vaticano na terça-feira.
O cardeal de origem italiana visitou Kiev e Moscou em junho e depois Washington em julho, como parte das tentativas da Santa Sé de levar a Ucrânia e a Rússia à mesa de negociações.
Receber um enviado papal sênior é visto como algo significativo, considerando os laços frios de Pequim com a Santa Sé.
O Vaticano tem relações bilaterais com Taiwan, que é democraticamente governada, mas não com a China, que reivindica a ilha como parte de seu território. O Vaticano é o único Estado na Europa a reconhecer Taipé.
Os laços sino-vaticanos têm sido frágeis também devido a diferenças sobre as nomeações de bispos na China. O Vaticano reclama que Pequim nomeou bispos unilateralmente várias vezes, violando um pacto histórico de 2018.
(Reportagem de Ryan Woo e Ethan Wang)
Reuters

