Conab prevê aumento de 0,7% na safra de soja do Brasil em 2026/27
Conab prevê aumento de 0,7% na safra de soja do Brasil em 2026/27
Reuters
15/09/2026
Atualizada em 15/09/2026
SÃO PAULO, 15 Set (Reuters) - A safra de soja do Brasil 2026/27 foi estimada nesta terça-feira em recorde de 181,64 milhões de toneladas, mas um crescimento de apenas 0,7% no comparativo anual, de acordo com as primeiras projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada com plantio em fase inicial.
A área plantada com soja deverá aumentar 1,4% no comparativo com o ciclo anterior, para 49,3 milhões de hectares, indicou a estatal sobre a principal safra do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa.
O crescimento da área será o menor em termos percentuais dos últimos 20 anos, devido à redução das margens de rentabilidade e em função da menor atratividade econômica para novas áreas.
'Ainda assim, o crescimento de área é sustentado pela elevada liquidez da cultura, ampla inserção no mercado internacional e possibilidade de expansão sobre áreas agrícolas já consolidadas', disse a Conab.
Segundo a estatal, a produtividade média no novo ciclo deverá apresentar ligeira redução, em função da elevada base de comparação da safra 2025/26, além dos riscos climáticos em um período de ocorrência do fenômeno El Niño.
As exportações de soja deverão aumentar 1,5%, para 117,98 milhões de toneladas, 'principalmente pela expectativa de manutenção das compras chinesas em níveis elevados'.
Por outro lado, a Conab afirmou que o crescimento dos embarques deverá ser limitado 'pela pequena expansão da oferta brasileira e pela maior concorrência da soja norte-americana, diante da perspectiva de produção elevada nos Estados Unidos em 2026/27'.
Além disso, o esmagamento doméstico também deverá crescer, impulsionado principalmente pela expectativa de aumento da demanda por óleo de soja para a produção de biodiesel em 2027.
NOVO RECORDE PARA O MILHO
A safra de milho do Brasil em 2026/27 está projetada em 148 milhões de toneladas, um aumento de 2,8% em relação à temporada anterior e a maior colheita já registrada no país, informou a Conab.
Espera-se que a demanda interna continue em expansão, impulsionada pelo crescimento constante da indústria de rações e pelo rápido desenvolvimento do setor brasileiro de etanol à base de milho.
As exportações de milho foram estimadas em 46,01 milhões de toneladas para 2026/27, acima das 43,9 milhões de toneladas da temporada anterior.
'As exportações deverão permanecer em patamar elevado, favorecidas pela disponibilidade do produto e pela competitividade brasileira', disse.
'Mesmo assim, a concorrência com os Estados Unidos e a Argentina, o câmbio e os custos logísticos continuarão influenciando o ritmo dos embarques', ponderou a estatal.
Com o crescimento da demanda total por milho brasileiro em ritmo superior ao da produção nacional, estima-se que os estoques finais recuem de 15,7 milhões de toneladas em 2025/26 para 14,5 milhões de toneladas, o que é 'considerado suficiente para garantir a segurança do abastecimento interno do grão no Brasil'.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira e Letícia Fucuchima)
Reuters

