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Demanda por IA mantém motor das exportações da China em pleno funcionamento

Demanda por IA mantém motor das exportações da China em pleno funcionamento

Reuters

07/08/2026

Placeholder - loading - Imagem captada por drone mostra um petroleiro com bandeira chinesa atracado em um terminal petrolífero no porto de Tsing Yi, com a ponte Tsing Ma ao fundo, em Hong Kong, China, em 19 de março de 2026
Imagem captada por drone mostra um petroleiro com bandeira chinesa atracado em um terminal petrolífero no porto de Tsing Yi, com a ponte Tsing Ma ao fundo, em Hong Kong, China, em 19 de março de 2026

PEQUIM, 7 Ago (Reuters) - As exportações da China superaram as expectativas em julho, continuando ​a ser um dos principais motores do crescimento econômico, à medida que o boom global da infraestrutura de IA impulsionou a demanda por produtos de alta tecnologia e os exportadores anteciparam os embarques antes da entrada em vigor de tarifas mais altas dos EUA.

A potência industrial tem contado com a demanda externa para sustentar o crescimento e compensar o consumo interno fraco e a desaceleração dos investimentos, mas os atritos nas relações da China com seus parceiros comerciais podem levar a um maior protecionismo em um ambiente global incerto devido à guerra no Oriente Médio.

As exportações da China em julho cresceram 23,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em termos de valor em dólares, segundo dados da alfândega divulgados nesta sexta-feira, desacelerando em relação ao aumento de 27% registrado no mês anterior e ficando abaixo da previsão de 22,2% de alta em uma pesquisa da Reuters.

As importações aumentaram 27,5% em relação a julho do ano passado, desacelerando em relação ao salto de ⁠36% registrado em junho e ⁠em linha com o ganho esperado de 27,9%.

No mês passado, ​os Estados Unidos ‌proibiram as importações de novos robôs humanóides e quadrúpedes, bem como de inversores de energia conectados, provenientes da China; e, na quinta-feira, impuseram preços mínimos e uma tarifa de 15% sobre produtos fabricados com polissilício, a matéria-prima utilizada em semicondutores e painéis solares que é produzida principalmente pela China.

O iuan oscilava perto da maior cotação em três anos e meio, enquanto as ações registraram alta após a divulgação dos dados.

DEMANDA RESILIENTE POR PRODUTOS RELACIONADOS À IA

Analistas ⁠esperam que a demanda por IA, que impulsionou os preços de produtos relacionados, sustente um forte crescimento das exportações no ​terceiro trimestre e até mesmo no segundo semestre.

As exportações de chips nos primeiros sete meses quase dobraram em valor em relação ao ano passado, e ​as exportações gerais de alta tecnologia cresceram 40,7%, segundo dados da alfândega.

As remessas de cerâmica ‌caíram 28,3% e as exportações de brinquedos ​diminuíram ⁠9,7%, em mais um sinal do desenvolvimento desigual da economia, em que fabricantes de ponta aproveitam o boom da IA, enquanto setores mais tradicionais enfrentam dificuldades devido à fraca demanda.

O crescimento do PIB da China desacelerou para 4,3% no segundo trimestre, ficando abaixo da meta oficial de Pequim para o ano inteiro, que é de 4,5% a ​5%.

“A demanda externa tornou-se cada vez mais importante este ano para as perspectivas de crescimento, à medida que a divergência em forma de K da China se amplia”, disse Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING.

RELAÇÕES COM PARCEIROS COMERCIAIS

Autoridades chinesas têm prometido repetidamente expandir as importações e promover um comércio equilibrado; no entanto, o superávit comercial do país, a caminho de ultrapassar US$1 trilhão pelo segundo ano consecutivo, continuou a inquietar os parceiros comerciais, preocupados com perturbações em suas próprias ​indústrias nacionais.

O superávit comercial da China diminuiu para US$112,5 bilhões, ante US$125,62 bilhões em junho. Seu superávit comercial com os Estados Unidos diminuiu ligeiramente para US$28 bilhões em julho, ante US$28,86 bilhões no mês anterior.

As exportações para os EUA aumentaram 17% em relação ao mesmo mês do ano passado. As remessas para a União Europeia cresceram 16%, enquanto as importações do bloco caíram 1,4%. O comércio com a Coreia do Sul manteve um crescimento robusto em julho, com as exportações subindo 46,6% e as importações, 97,8%, impulsionadas pela demanda por alta tecnologia.

Exportadores chineses e importadores norte-americanos continuaram a antecipar os embarques em julho, pois esperavam que as tarifas de Washington sobre produtos chineses aumentassem após o vencimento de uma alíquota global temporária de 10% no final de julho, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist ​Intelligence Unit.

Em julho, os EUA impuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre as importações chinesas após o término da alíquota de 10%, como parte de uma campanha tarifária ‌mais ampla voltada para parceiros comerciais que, segundo Washington, não conseguiram ⁠coibir o trabalho forçado. Uma investigação separada dos EUA sobre o excesso de capacidade dos parceiros comerciais provavelmente aumentará ainda mais as tarifas.

Com as exportações em alta e as fábricas operando a todo vapor, os formuladores de políticas podem se sentir mais à vontade para adiar medidas destinadas a aumentar a renda ⁠das famílias e fortalecer os sistemas de previdência social, a fim de lidar com a fraqueza arraigada na ⁠demanda interna.

Analistas da Macquarie afirmaram que o apoio de Pequim às políticas de ⁠consumo interno e ao mercado imobiliário ⁠permanecerá ​moderado enquanto as exportações e a indústria puderem ajudar a economia a atingir a meta anual de crescimento.

(Reportagem de Yukun Zhang, Ellen Zhang, Sam Li e Ryan Woo)

Reuters

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