Eleitores dos EUA são alvo de operação de influência chinesa online, dizem pesquisadores
Eleitores dos EUA são alvo de operação de influência chinesa online, dizem pesquisadores
Reuters
03/09/2024
Por Christopher Bing e Katie Paul
(Reuters) - Uma operação chinesa de influência nas redes sociais está simulando eleitores norte-americanos, denegrindo políticos dos EUA e divulgando mensagens polarizantes antes da eleição presidencial de 5 de novembro, segundo uma nova pesquisa da empresa de inteligência Graphika.
A campanha faz parte de um esforço conhecido ligado ao Estado chinês que os analistas apelidaram de 'Spamouflage' ou 'Dragonbridge', que envia uma mistura de spam e propaganda direcionada para a Internet.
O Spamouflage está ativo desde pelo menos 2017, mas intensificou suas atividades à medida que a eleição se aproxima, de acordo com especialistas. Ele aproveitou milhares de contas em mais de 50 sites, fóruns e plataformas de rede social, segundo a pesquisa.
'A principal conclusão desse relatório', disse Jack Stubbs, que gerencia a equipe de pesquisa da Graphika, é que o Spamouflage 'se tornou mais agressivo em seus esforços para se infiltrar e influenciar as conversas políticas dos EUA'.
'Isso é importante porque mostra que as operações de influência chinesa voltadas para os EUA estão evoluindo, adotando comportamentos enganosos mais avançados e visando diretamente essas fendas orgânicas, mas hipersensíveis, na sociedade', acrescentou Stubbs.
Em um exemplo destacado pela Graphika, a operação chinesa simula ativistas norte-americanos contra a guerra. Usando várias contas no X, os agentes criaram memes que rotularam Trump de 'fraude', mostrando-o em um uniforme laranja de prisão, e chamaram Biden de 'covarde'.
Em um inglês hesitante, uma outra conta perguntou: 'A América atual ainda é a nossa América?'.
Liu Pengyu, porta-voz da embaixada da China em Washington, disse: 'A China não tem intenção e não vai interferir na eleição dos EUA, e esperamos que o lado norte-americano não faça da China um problema na eleição'.
O Facebook atribuiu anteriormente a campanha à polícia chinesa, chamando-a de 'a maior operação de influência secreta entre plataformas conhecida no mundo'.
(Reportagem de Christopher Bing e Katie Paul; Reportagem adicional de Sheila Dang e Kenrick Cai)
Reuters

