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Embaixador dos EUA adverte Espanha para ter 'muito cuidado' ao aprofundar laços com China

Embaixador dos EUA adverte Espanha para ter 'muito cuidado' ao aprofundar laços com China

Reuters

27/05/2026

Placeholder - loading - Membros da guarda de honra seguram as bandeiras da Espanha e da China antes de uma cerimônia de boas-vindas ao rei Felipe 6º da Espanha no Grande Salão do Povo em Pequim 12 de novembro de 2025. ANDRES
Membros da guarda de honra seguram as bandeiras da Espanha e da China antes de uma cerimônia de boas-vindas ao rei Felipe 6º da Espanha no Grande Salão do Povo em Pequim 12 de novembro de 2025. ANDRES

Por Aislinn Laing

MADRI, 27 Mai (Reuters) - A Espanha ​deve agir com muito cuidado ao aprofundar seu relacionamento com a China para manter o país asiático fora de setores críticos, como dados, defesa e telecomunicações, onde Pequim busca dominar, disse Benjamin Leon, embaixador dos Estados Unidos na Espanha, nesta quarta-feira.

Em um de seus primeiros discursos públicos desde que assumiu o cargo em fevereiro, Leon levantou a preocupação de que contratos públicos tenham sido concedidos a empresas que trabalham com a Huawei, a gigante chinesa de tecnologia que Washington diz representar 'um risco inaceitável' para a segurança nacional dos EUA.

'Não acho que ⁠isso atinja ⁠o nível de segurança no qual ​a Espanha ‌e os Estados Unidos estão trocando (informações)', disse ele. 'Se a Espanha garantir que a China seja mantida fora de áreas críticas, por que não negociar (com Pequim)? Mas vejo que eles estão começando a penetrar em áreas críticas e a Espanha deve ⁠ter muito cuidado com isso.'

'A China busca dominar tecnologias essenciais. Ela usa ​práticas comerciais injustas e coerção econômica para expandir sua influência estratégica. E isso representa ​riscos reais para nossas cadeias de suprimentos, nossa pesquisa ‌e nossa segurança', disse ​ele, ⁠conclamando a Europa a proteger sua pesquisa, propriedade intelectual e valores democráticos.

A China negou em várias ocasiões as acusações de Washington de práticas injustas e espionagem.

As relações entre o governo do ​presidente dos EUA, Donald Trump, e o governo esquerdista da Espanha têm sido tensas devido à recusa de Madri em aderir a um compromisso assumido pelos membros da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de aumentar os gastos com defesa para ​5% do PIB e permitir que os Estados Unidos usem suas bases militares e espaço aéreo na guerra contra o Irã.

Em outubro, Trump sugeriu que poderia aplicar sanções econômicas contra a Espanha por não aumentar os gastos com defesa.

Leon disse que a Espanha havia 'frustrado' Trump e disse que a decisão sobre como proceder é exclusivamente do presidente, mas minimizou as chances de sanções econômicas ou militares dos EUA.

'Do meu ponto de vista, sempre haverá um ​compromisso entre a Espanha e os Estados Unidos... De uma forma ou de outra, encontraremos ‌maneiras de continuar trabalhando e melhorando nosso ⁠relacionamento', disse ele.

Ele descreveu as bases navais espanholas e norte-americanas de Rota e Moron, no sul da Espanha, como 'bases fundamentais para nossa defesa coletiva' - em meio a temores ⁠de que a redução das tropas norte-americanas na Europa possa ⁠afetar as instalações espanholas.

'Vivemos em tempos muito ⁠perigosos. A Europa ⁠deve ​estar preparada para se defender. Os EUA estarão ao seu lado', disse ele.

(Reportagem de Aislinn Laing)

Reuters

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