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Enviado de Putin e partido de extrema-direita alemão devem discutir retomada de fornecimento de gás, dizem fontes

Enviado de Putin e partido de extrema-direita alemão devem discutir retomada de fornecimento de gás, dizem fontes

Reuters

18/09/2026

Placeholder - loading - Enviado presidencial russo Kirill Dmitriev participa de reunião no Kremlin, em Moscou 5 de setembro de 2026 Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS
Enviado presidencial russo Kirill Dmitriev participa de reunião no Kremlin, em Moscou 5 de setembro de 2026 Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS

Por John O'Donnell

BERLIM, 18 Set (Reuters) - O principal enviado econômico do ​presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a liderança do partido alemão de extrema-direita AfD começaram os preparativos para se reunir no próximo ano a fim de discutir o reinício do fornecimento de gás russo à Alemanha, segundo duas pessoas a par do plano.

As discussões para uma reunião já em março destacam as relações estreitas entre Moscou e a AfD, que, embora impedida de chegar ao poder por uma coalizão de seus rivais, é o partido mais popular entre os eleitores alemães.

A reunião contaria com a presença de Kirill Dmitriev, assessor próximo de Putin e que chefia o fundo soberano da Rússia, bem como dos co-líderes da AfD, Alice Weidel e Tino Chrupalla, disse uma das fontes.

Um porta-voz da AfD e um representante de Dmitriev se recusaram a comentar.

Antes ⁠das sanções impostas devido ⁠à invasão em grande escala de Moscou à ​Ucrânia em 2022, ‌a Rússia fornecia mais de um terço das importações de petróleo bruto da Alemanha e mais da metade de seu gás natural.

A reunião só ocorreria se um acordo de paz fosse previamente firmado entre a Rússia e a Ucrânia, e os organizadores esperavam que ela reunisse a AfD, a Rússia e os Estados Unidos, disse a fonte. ⁠Entre os locais possíveis para a cúpula estão Israel, os Emirados Árabes Unidos ou a Índia, acrescentou.

Weidel ​defendeu o fim do boicote ao petróleo e ao gás russos para impulsionar a economia alemã em declínio, em ​uma entrevista à Reuters em junho.

Dmitriev esteve presente em uma reunião neste ‌mês em Moscou com os ​representantes dos ⁠EUA Steve Witkoff e Jared Kushner.

Os organizadores esperavam que Witkoff e Kushner também participassem da reunião sobre gás, que examinaria a reabertura dos gasodutos russos Nord Stream, disse a fonte.

Uma autoridade graduada dos EUA disse à Reuters que Witkoff e Kushner não foram informados ​nem convidados para a cúpula proposta.

Qualquer encontro teria caráter simbólico, já que a AfD não faz parte do governo alemão. Mas os preparativos destacam a fragilidade do sistema político da Alemanha, onde a recusa de longa data dos partidos tradicionais em colaborar com a extrema-direita está sendo posta à prova pelo sucesso eleitoral da AfD.

A AfD acaba de conquistar uma grande vitória ao se ​tornar o maior partido em uma eleição estadual na Saxônia-Anhalt e enfrenta outro teste de popularidade no domingo, em uma eleição no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Os gasodutos russos Nord Stream entram na Alemanha nesse Estado.

A Câmara de Comércio norte-americana em Moscou acolheu a ideia como “um passo positivo e oportuno”.

“Envolver a Alemanha, como uma economia europeia de destaque, pode criar uma plataforma mais ampla para discutir questões que são significativas tanto para esses países quanto para o resto do mundo”, disse Robert Agee, presidente da AmCham Rússia.

A Alemanha tem enfrentado dificuldades para se recuperar do choque causado pelo fechamento dos principais gasodutos submarinos do Nord Stream, ​alguns dos quais foram danificados por explosões em setembro de 2022.

Mas qualquer esforço para retomar o fornecimento de gás russo ou a ‌operação do Nord Stream encontraria forte resistência, tanto na ⁠Alemanha quanto entre seus aliados, especialmente na Europa Oriental.

“A Alemanha não pode voltar a depender da Rússia”, disse Michael Kellner, deputado do Partido Verde que foi responsável pela política energética alemã no governo durante a crise desencadeada pelo corte do ⁠gás russo após a invasão da Ucrânia.

“Não podemos repetir os erros da crise energética”, ⁠disse ele. “Isso nos custou 50 bilhões de euros. Não podemos ⁠querer voltar a isso. Seria ⁠traição. ​Putin está usando a AfD para seus próprios fins.”

(Reportagem da Redação da Reuters em Moscou; Reportagem adicional de Steve Holland, em Washington)

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