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EUA conseguem que mais países se oponham à resolução da ONU que condena embargo a Cuba

EUA conseguem que mais países se oponham à resolução da ONU que condena embargo a Cuba

Reuters

28/10/2026

Placeholder - loading - Embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, discursa em uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sede da ONU, em Nova York 23 de setembro de 2026 REUTERS/Shannon Stapleton
Embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, discursa em uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sede da ONU, em Nova York 23 de setembro de 2026 REUTERS/Shannon Stapleton

Por Antoni Slodkowski

NAÇÕES UNIDAS, 28 Out (Reuters) - A Assembleia Geral ​da ONU pediu, por esmagadora maioria, pelo fim do embargo econômico imposto há décadas pelos Estados Unidos a Cuba, mas uma campanha de pressão dos EUA levou vários países a se oporem à resolução nesta quarta-feira ou a se absterem pela primeira vez em anos.

Os resultados mostraram que 130 nações votaram a favor da resolução, 25 se abstiveram e 17 países, incluindo os EUA e Israel, votaram contra. No ano passado, a votação havia sido de 165 a 7, com 12 abstenções. Vários países ocidentais, incluindo Alemanha e Itália, se abstiveram pela primeira vez em muitos anos.

A votação da ONU tem peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo ⁠da era da ⁠Guerra Fria. A Assembleia Geral da ONU, ​composta por 193 ‌membros, vem adotando a resolução anualmente há mais de três décadas — exceto em 2020, durante a pandemia da Covid.

“Estou satisfeito por tantos países agora, incluindo grandes economias como a Coreia, a Alemanha e outros, terem mudado sua posição”, disse o enviado dos EUA à ONU, Mike Waltz, aos repórteres após ⁠a votação.

“A diplomacia leva tempo, mas agora que o número de países que mudaram ​de posição triplicou, esperamos que isso só continue a crescer”, disse ele.

As tensões entre as duas nações na ​ONU se intensificaram antes da votação, incluindo discussões acaloradas entre ‌diplomatas cubanos e norte-americanos na ​ONU ⁠na semana passada, bem como gritos e empurrões no plenário da Assembleia Geral na terça-feira.

Nesta quarta-feira, Waltz acusou um diplomata cubano de “agredir um diplomata norte-americano” durante as discussões de terça-feira, acrescentando que Richard Tur de la Concepción, primeiro-secretário da ​missão de Cuba na ONU, será expulso dos EUA.

“Esse primeiro secretário cubano estará hoje em um avião saindo do país de volta a Havana”, disse Waltz a repórteres na ONU.

A missão de Cuba na ONU não respondeu imediatamente às perguntas sobre a expulsão.

Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, ​e o governo do presidente norte-americano Donald Trump vem intensificando a pressão, após ter recorrido às Forças Armadas em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou no X, após a votação, que “o governo dos EUA está mais uma vez isolado em sua tentativa de continuar sufocando o povo cubano e submetendo-o a um ato de punição coletiva e genocídio”.

“Nem seus pretextos mais insanos, nem suas pressões, nem o circo midiático prevalecerão sobre a força dos fatos e da verdade”, disse ele.

Os Estados Unidos têm ​votado contra as resoluções da ONU desde 1992, mas se abstiveram pela primeira vez em 2016, durante o governo do ‌ex-presidente Barack Obama, quando Washington e Havana estreitaram ⁠suas relações.

Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se encontra atolado, a pior recessão econômica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.

No mês passado, ⁠Trump afirmou na ONU que Cuba era um Estado falido e ⁠que a liberdade chegaria à nação insular.

A rede elétrica ⁠de Cuba sofreu um ⁠colapso ​total no mês passado, mergulhando a ilha na escuridão e deixando milhões de pessoas sem energia elétrica.

(Reportagem de Antoni Slodkowski)

Reuters

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