EXCLUSIVO-Ministro da Defesa chinês está sob investigação por compras de equipamento militar
EXCLUSIVO-Ministro da Defesa chinês está sob investigação por compras de equipamento militar
Reuters
15/09/2023
Por Yew Lun Tian
(Reuters) - O ministro da Defesa da China, Li Shangfu, que está desaparecido da vista do público há mais de duas semanas, foi colocado sob investigação pelas autoridades chinesas, segundo 10 pessoas familiarizadas com o assunto.
A investigação sobre Li diz respeito à aquisição de equipamento militar, de acordo com uma autoridade de segurança regional e três pessoas em contato direto com os militares chineses. A Reuters não conseguiu obter detalhes sobre quais compras de equipamentos estavam sob escrutínio.
Oito autoridades de alto escalão da unidade militar chinesa de compras, a qual Li liderou de 2017 a 2022, também estão sob investigação, segundo duas pessoas em contato direto com os militares.
A investigação sobre Li, que foi nomeado ministro da Defesa em março, e as oito autoridades está sendo conduzida pela poderosa comissão militar de inspeção disciplinar, disseram essas duas fontes.
Análise detalhada da Reuters sobre as alegações contra Li e o momento da investigação baseiam-se em entrevistas com fontes que interagem regularmente com altos líderes políticos e de defesa da China e autoridades regionais com conhecimento próximo da política chinesa.
Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse aos repórteres na sexta-feira que não estava ciente da situação. O Conselho de Estado e o Ministério da Defesa não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. Li não foi encontrado imediatamente.
O Financial Times informou na sexta-feira, citando autoridades dos Estados Unidos, que o governo dos EUA acredita que Li foi colocado sob investigação. De acordo com o Wall Street Journal, uma pessoa próxima da tomada de decisões em Pequim disse que ele havia sido levado na semana passada para interrogatório.
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as reportagens da mídia de que autoridades de inteligência dos EUA acreditavam que Li estava sob investigação por corrupção.
O embaixador dos EUA no Japão, Rahm Emanuel, questionou nesta sexta-feira no X, antigo Twitter, se Li estava em prisão domiciliar. A embaixada dos EUA em Tóquio não fez mais comentários imediatamente.
Li foi visto pela última vez em Pequim, em 29 de agosto, fazendo um discurso num fórum de segurança com nações africanas. Naquele mês, ele também visitou Rússia e Belarus.
A investigação sobre o ministro começou logo após seu retorno daquela viagem, segundo uma pessoa em contato direto com os militares e duas autoridades de segurança estrangeiras informadas sobre o caso.
Em 3 de setembro, seu ministério cancelou a visita de Li ao Vietnã para uma reunião anual de defesa entre os dois países marcada para 7 e 8 de setembro, segundo uma autoridade vietnamita. Pequim disse às autoridades em Hanói que Li tinha um “problema de saúde” quando adiou o evento, disseram duas autoridades vietnamitas.
O fato de Li não ter comparecido a essa reunião e às conversações com um alto oficial militar de Cingapura na China na mesma semana levantou questões entre diplomatas regionais e usuários de redes sociais sobre o seu paradeiro.
A investigação sobre Li segue-se à substituição inexplicada do ministro das Relações Exteriores, Qin Gang, pela China, em julho, após uma ausência prolongada da vista do público e uma mudança na liderança da força de foguetes de elite do Exército de Libertação Popular, responsável pelos mísseis convencionais e nucleares. As autoridades chinesas disseram inicialmente que a ausência de Qin também se devia a motivos de saúde.
Reuters

