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Fachin tira pedido de investigação contra Mendonça de inquérito relatado por Moraes

Fachin tira pedido de investigação contra Mendonça de inquérito relatado por Moraes

Reuters

04/09/2026

Placeholder - loading - Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão do STF 2 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão do STF 2 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 4 Set (Reuters) - O presidente do ​Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira tirar o pedido de investigação contra o ministro André Mendonça do inquérito das 'fake news', após o relator dessa apuração, Alexandre de Moraes, ter apontado na véspera prática de atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade contra o colega de corte.

Fachin deu cinco dias de prazo para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre os fatos, e ressalvou que a providência que adotou não significa que está concordando com a abertura das investigações.

'As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à ⁠admissibilidade, à ⁠regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações', ​afirmou o ‌presidente do Supremo em despacho.

Procurados, Moraes e Mendonça não responderam de imediato a pedidos de comentários.

Em seu pedido para investigar Mendonça, que aconteceu após o ministro ter implicado Moraes e outras autoridades em uma série de condutas relacionadas com o Banco Master, Moraes apontou uma ⁠suposta condução indevida do colega nas investigações do caso Master e dos desvios ​irregulares do INSS.

Moraes se valeu de um documento tido pela própria PF como 'sem valor probatório' como ​base para o pedido, segundo documentos divulgados pelo próprio ‌STF. O magistrado incluiu no ​inquérito ⁠das 'fake news' um relatório de inteligência de 50 páginas que, entre outros fatos, menciona a 'forma atípica' de uma decisão tomada por Mendonça para que fosse produzido um relatório anterior da PF sobre pessoas que conversaram ​com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

Com base nesses e outros achados, Moraes alega que ele foi investigado ilegalmente pelo colega porque a produção do documento que encontrou com troca de mensagens entre Vorcaro e um número atribuído a Moraes precisaria de um aval prévio do plenário do Supremo, ​a instância responsável por autorizar a apuração de eventuais crimes comuns praticados por ministros do tribunal.

Moraes disse ainda que houve 'quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos', citando ter havido usurpação na direção de investigações de autoridades policiais, condução irregular de tratativas de eventual colaboração premiada e direcionamento de determinados alvos para investigação por 'motivos pessoais e políticos', citando ele próprio e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

O inquérito das 'fake news' é uma investigação aberta pelo próprio STF em 2019 após a veiculação ​de notícias falsas e ameaças a ministros do tribunal, que posteriormente abriu seu leque de apurações para atos ‌antidemocráticos, questionamentos sobre vacinas e milícias digitais, ⁠se tornando alvo de críticas dentro e fora do Supremo.

A decisão de Moraes da quinta-feira foi mais um episódio na escalada de grave tensão no Supremo, dois dias após Mendonça ter divulgado ⁠um relatório feito pela PF, produzido a pedido dele, que ⁠implica ao longo de 218 páginas Moraes e ⁠outras autoridades em uma ⁠série ​de condutas com o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele.

(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Pedro Fonseca)

Reuters

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