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Falha no motor da Starship pode afetar objetivos da missão lunar da Nasa

Falha no motor da Starship pode afetar objetivos da missão lunar da Nasa

Reuters

29/09/2026

Placeholder - loading - Nave Starship, da SpaceX, decola para seu 14º voo de teste do complexo de lançamento da SpaceX em Starbase, Texas, EUA 28 de setembro de 2026 REUTERS/Steve Nesius
Nave Starship, da SpaceX, decola para seu 14º voo de teste do complexo de lançamento da SpaceX em Starbase, Texas, EUA 28 de setembro de 2026 REUTERS/Steve Nesius

Por Steve Gorman e Akash Sriram e Joey Roulette

LOS ANGELES, 29 ​Set (Reuters) - A falha no motor da Starship, que quase impediu a estreia orbital da espaçonave de última geração da SpaceX em seu 14º voo de teste não tripulado, pode dificultar a capacidade da Nasa de cumprir seu cronograma para missões de astronautas à Lua.

A Starship, projetada em parte para transportar grandes cargas úteis ao espaço, é uma das duas naves que disputam o título de primeira nave que a Nasa utilizará já em 2028 para levar seres humanos à Lua e trazê-los de volta em segurança, um feito alcançado pela última vez em 1972, no final da era Apollo.

Embora a Starship tenha cumprido vários objetivos-chave em seu último lançamento de teste, realizado na segunda-feira no Texas, a missão foi encurtada em várias horas devido a uma falha em seu sistema de propulsão.

Apesar da desativação inesperada de um de seus três motores ⁠Raptor principais após a ⁠separação da Starship do foguete impulsionador do estágio inferior, ​os controladores ‌de voo prosseguiram com o envio da espaçonave à órbita para seu primeiro lançamento comercial de satélite.

Determinar o que causou a falha no motor continua sendo fundamental para os resultados financeiros da SpaceX. Mas os riscos são potencialmente maiores para a Nasa, já que um veículo de pouso lunar da Starship dependeria do mesmo sistema de propulsão para transportar astronautas pelo espaço de e ⁠para a superfície lunar.

O quanto essa falha no motor representará um revés para o progresso do desenvolvimento ​da Starship depende se ela for “uma falha pontual de uma única peça” ou se apontar para um problema de projeto mais ​amplo que exija atualizações “em toda a frota”, disse Dean Sladen, engenheiro aeroespacial da ‌Accu Components.

“Qualquer reparo no motor que ​atrase os ⁠próximos voos, incluindo a tentativa planejada de capturar a nave com os braços da torre de lançamento (após a reentrada), prejudica esse cronograma”, disse ele.

A Nasa e a SpaceX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Um atraso mais prolongado representaria não apenas um revés maior para as ambições ​comerciais da SpaceX de expandir rapidamente sua rede de satélites de banda larga Starlink, mas também para seu papel fundamental no programa lunar Artemis da Nasa.

“A verdadeira pressão é a Lua. A Nasa precisa da Starship para a Artemis 3”, disse Sladen, referindo-se a uma missão de teste em órbita terrestre prevista para já no próximo verão (no Hemisfério Norte) como um voo de ensaio para o primeiro pouso lunar ​tripulado do programa.

Problemas com o motor Raptor e o sistema de propulsão contribuíram para vários contratempos anteriores da Starship, incluindo um motor que não acendeu conforme planejado durante o 12º voo da Starship, em maio. Os motores movidos a metano estão entre os componentes mais complexos e caros do foguete.

Durante alguns voos anteriores, a SpaceX cancelou os planos de testar a ignição do motor Raptor no espaço. Mas todos os motores foram acionados com sucesso durante a ascensão no 13º voo da Starship, em julho.

A SpaceX , empresa fundada por Elon Musk perto de Los Angeles em 2002 e que recentemente abriu seu capital, está competindo com a Blue Origin, empresa rival de foguetes do também empresário Jeff ​Bezos, para inaugurar uma era de exploração lunar no âmbito do programa Artemis da Nasa.

Embora a SpaceX tenha sido originalmente contratada para fornecer o ‌primeiro módulo de pouso lunar tripulado para o Artemis, o ⁠chefe da agência espacial dos EUA, Jared Isaacman, afirmou em abril que a Nasa optaria pelo módulo que estivesse pronto para voar primeiro. A Nasa considerou essa concorrência adicional saudável para o progresso, tendo em vista os crescentes atrasos no programa de voos de teste ⁠da Starship.

A Nasa tem como meta oficial levar astronautas de volta à superfície da ⁠Lua até 2028 — uma meta amplamente considerada excessivamente ambiciosa — para chegar ⁠lá antes da China, que planeja ⁠um ​pouso tripulado na Lua até 2030.

(Reportagem de Steve Gorman, em Los Angeles, e Akash Sriram, em Bengaluru; Reportagem adicional de Joey Roulette, em Washington)

Reuters

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