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Fed eleva juros e prevê mais aperto monetário em busca de queda “mais rápida” da inflação

Fed eleva juros e prevê mais aperto monetário em busca de queda “mais rápida” da inflação

Reuters

16/09/2026

Placeholder - loading - Bandeiras tremulam sobre a sede do Federal Reserve em dia ventoso em Washington, EUA, em 26 de maio de 2017. REUTERS/Kevin Lamarque
Bandeiras tremulam sobre a sede do Federal Reserve em dia ventoso em Washington, EUA, em 26 de maio de 2017. REUTERS/Kevin Lamarque

Atualizada em  16/09/2026

Por Howard Schneider

WASHINGTON, 16 Set (Reuters) - O Federal Reserve elevou as taxas de juros ​nesta quarta-feira e sinalizou novos aumentos nos custos dos empréstimos nos próximos meses, com o novo presidente do banco central dos EUA, Kevin Warsh, aderindo a uma decisão unânime que reconhece, na prática, a incapacidade do governo Trump, até o momento, de controlar a inflação.

Embora o presidente Donald Trump tivesse prometido reduzir os preços durante seu mandato, o impacto combinado de suas tarifas sobre importações globais, um choque energético após o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã e os gastos de capital decorrentes do boom da inteligência artificial mantiveram as pressões sobre os preços intensas o suficiente para que o Fed sentisse a necessidade de elevar sua taxa básica de juros overnight em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Novas projeções de política monetária mostraram que 16 dos 18 formuladores de política monetária prevêem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o final deste ano, com apenas dois deles prevendo que as taxas permanecerão estáveis a ⁠partir de agora. Warsh, aparentemente, ⁠mais uma vez não apresentou uma projeção para as taxas de ​juros.

É a ‌primeira mudança de política monetária sob o comando do novo presidente do Fed, que assumiu o cargo no final de maio após ser escolhido por Trump com a expectativa de que reduzisse as taxas.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou em entrevista coletiva após a reunião do Fed que, no que diz respeito à elevação dos juros, 'a inflação continua elevada. A decisão de política monetária de hoje ajudará a apoiar um retorno mais rápido à ⁠meta de 2% do comitê'.

Ele acrescentou: 'Eu teria dificuldade em descrever as condições financeiras amplas como restritivas. Essa visão era amplamente ​compartilhada pelo comitê, por isso removemos uma parcela da acomodação monetária.'

O dólar avançou frente ao euro após o anúncio do Fed, enquanto os rendimentos dos ​Treasuries permaneceram em grande parte estáveis, após já terem recuado em antecipação à alta de ‌juros.

'A decisão do Federal Reserve de elevar ​os juros ⁠em 0,25 ponto percentual hoje reflete seu foco contínuo em lidar com a persistência da inflação. Embora a inflação tenha recuado em relação aos níveis de pico, ela permaneceu elevada o suficiente para levar o Comitê Federal de Mercado Aberto a adotar uma ação adicional', disse Michele Raneri, chefe de pesquisa e consultoria para os Estados Unidos ​da TransUnion, em Chicago.

TODAS AS ATENÇÕES EM WARSH

A nova declaração de política monetária e as projeções econômicas do Fed mostram um banco central abrindo caminho para uma política monetária mais restritiva ao longo do próximo ano, com a taxa básica subindo para a faixa de 4,00% a 4,25% até o final deste ano e encerrando 2027 no mesmo nível.

“A medida de política monetária de hoje apoiará um retorno mais rápido à meta de 2% do Comitê”, afirmou o banco central em sua declaração ​de política monetária após o término de uma reunião de dois dias.

Embora o comunicado tenha evitado qualquer orientação prospectiva sobre as próximas decisões de política monetária — conforme a preferência de Warsh —, a decisão provavelmente dissipará dúvidas de que o presidente do Fed adiaria o endurecimento da política monetária por deferência a Trump, uma questão que pairou durante seus primeiros meses no cargo.

O comunicado retirou uma referência anterior que atribuía a inflação elevada atual a “choques de oferta”, particularmente no setor de energia, um reconhecimento das preocupações entre os formuladores de políticas monetária, incluindo Warsh, de que as pressões sobre os preços eram amplas demais para serem tranquilizadoras.

O aumento dos juros está sendo anunciado a menos de dois meses das eleições de meio de mandato, que determinarão se os republicanos de Trump manterão o controle do Congresso nos dois ​últimos anos de sua presidência. Os republicanos enfrentam uma batalha difícil contra eleitores insatisfeitos com os preços da gasolina — cerca de um terço mais altos do que há um ‌ano — e com as taxas de juros das hipotecas imobiliárias, que ⁠vêm subindo constantemente este ano. A taxa média de uma hipoteca de 30 anos com taxa fixa está se aproximando de 7%.

As novas projeções econômicas trimestrais dos formuladores de política monetária elevaram as estimativas de inflação, medida pelo Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal, para 3,7%, contra os 3,6% projetados na ⁠reunião do Fed em junho. Não se prevê que a inflação retorne à meta de 2% até ⁠2029, um ano mais tarde do que o esperado anteriormente.

O crescimento econômico foi ⁠revisado ligeiramente para cima, de 2,2% ⁠para ​2,3%, enquanto a taxa de desemprego deve fechar o ano em 4,1%, contra os 4,3% projetados em junho.

(Reportagem de Howard Schneider; reportagem adicional de David Lawder e Saeed Azhar)

Reuters

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