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Flávio Bolsonaro viaja para os EUA após derrota na eleição; Departamento de Estado dará vistos para família

Flávio Bolsonaro viaja para os EUA após derrota na eleição; Departamento de Estado dará vistos para família

Reuters

27/10/2026

Placeholder - loading - Senador Flávio Bolsonaro 25 de outubro de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian
Senador Flávio Bolsonaro 25 de outubro de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian

Atualizada em  27/10/2026

Por Ricardo Brito e Gram Slattery

BRASÍLIA/WASHINGTON, 27 Out (Reuters) - Flávio Bolsonaro ​viajou para os Estados Unidos nesta terça-feira, disseram à Reuters um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo dos EUA, menos de 24 horas após o senador assegurar que nunca pensara em deixar o país e depois da derrota eleitoral no domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitirá vistos para Flávio e sua família e permitirá a entrada deles nos EUA, disse uma autoridade sênior do órgão à Reuters.

Segundo um aliado da família Bolsonaro disse à Reuters que o senador chegou ao Estado da Flórida, nos EUA.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) havia determinado que Flávio entregasse seus passaportes até o final da manhã, o que não foi feito, e que ele estava proibido de ⁠deixar o país. ⁠A decisão se deu no âmbito de um inquérito ​em que ‌o senador é investigado por lavagem de dinheiro juntamente com o advogado Willer Tomaz, seu amigo. Ambos os investigados negam qualquer irregularidade.

No início da noite, Lula criticou a decisão de seu adversário na disputa eleitoral de sair do país

'Ato vergonhoso. Se fugiu é porque teme, porque quem não deve não teme', disse o presidente, em ato com aliados e ⁠apoiadores de comemoração pelos seus 81 anos.

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, já alegou ​que o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi vítima de perseguição judicial no Brasil. Jair Bolsonaro foi condenado ​a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

SURPRESA

Na ‌véspera, o candidato derrotado na eleição ​de ⁠domingo afirmara que nunca pensara em deixar o país.

'Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar', disse Flávio em vídeo publicado em sua conta no ​Instagram na segunda-feira, afirmando ainda que organizaria a oposição ao governo Lula.

Antes da votação de domingo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, afirmou em uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial.

Moraes citou risco de fuga e 'expressivo poder econômico' dos envolvidos na decisão que determinou a apreensão do passaporte do senador, segundo a decisão ​vista pela Reuters.

Em entrevista no início da noite desta terça, após participar de uma reunião da cúpula do PL, o coordenador-geral da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (RN), disse que não tinha informação sobre o paradeiro dele.

'Estamos surpresos porque ontem (segunda) conversamos sobre a necessidade de Flávio, com quase 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição', afirmou ele, acrescentando que tinha recebido uma mensagem de texto mais cedo que dizia que Flávio iria 'dar um tempo'.

PASSOS DO PAI

A viagem de Flávio para os Estados Unidos repetiria os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos ​depois de se recusar a reconhecer a derrota para Lula na eleição presidencial de 2022.

Jair Bolsonaro acabou retornando ao Brasil, mas posteriormente foi ‌condenado a 27 anos de prisão por tentativa ⁠de golpe de Estado. Flávio ainda não reconheceu oficialmente a derrota no domingo. No dia da votação, afirmou que buscaria a anulação do resultado alegando irregularidades após a prorrogação do prazo de votação. Posteriormente, disse que pediria a cassação da chapa ⁠de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, seu partido, o PL, declarou ⁠na segunda-feira que reconhecia a vitória de Lula.

(Reportagem de Ricardo ⁠Brito, Gram Slattery e Simon ⁠Lewis; ​Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, Luciana Magalhães, Lucinda Elliot, Brendan O'Boyle e Oliver GriffinEdição de Pedro Fonseca, Eduardo Simões e Alexandre Caverni)

Reuters

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