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Flávio termina 1º turno na liderança e se torna favorito na disputa presidencial contra Lula

Flávio termina 1º turno na liderança e se torna favorito na disputa presidencial contra Lula

Reuters

04/10/2026

Placeholder - loading - Um apoiador do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), faz um gesto após a autoridade eleitoral do país anunciar que Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lul
Um apoiador do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), faz um gesto após a autoridade eleitoral do país anunciar que Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lul

Atualizada em  04/10/2026

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO, 4 Out (Reuters) - O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição ​presidencial na liderança, contrariando o que apontavam os principais institutos de pesquisa para a eleição deste domingo, e irá como favorito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno em 25 de outubro.

Com 99,95% das seções eleitorais apuradas, Flávio liderava com 47,04% dos votos válidos, enquanto Lula somava 45,15%, com uma vantagem de cerca de 2,3 milhões de votos.

'O Flávio é favorito para o dia 25 porque o estoque de votos é baixo e o resultado de hoje mostra duas coisas: o nível de acerto da campanha do PL e o nível de erro da campanha do Lula até aqui. Agora a gente vai ter que esperar, vai ser um segundo turno apertado, mas isso muda os prognósticos que a gente tinha, porque agora é um retrato efetivo da vontade do eleitor', disse o cientista político Creomar de Souza, da Dharma Political Risk and Strategy.

O senador de oposição, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro -- que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado --, também impulsionou uma avalanche de vitórias de seus aliados nas disputas pelas vagas ao Senado ao redor do país, o que deve lhe dar, caso eleito no dia 25, força em pautas como a anistia ao seu pai ⁠e o impeachment de ministros do Supremo ⁠Tribunal Federal (STF).

Em declaração após a definição do segundo turno, Flávio afirmou que ​o resultado das urnas ‌decreta 'o fim da era do PT' e disse precisar de apenas um mandato para cuidar dos problemas do Brasil.

'É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT, é a mudança no nosso país', disse o senador a jornalistas em Brasília. 'Estou muito feliz com a possibilidade real de, daqui a três semanas, o Brasil dar uma resposta de que quer um governo mais moderno, com menos ministérios', acrescentou.

'Eu sou o único candidato que assumiu um compromisso pelo fim da reeleição, porque eu só preciso de um mandato para colocar o ⁠brasileiro e a brasileira no centro do meu governo, para que eu possa atacar e resolver os problemas reais do Brasil.'

Lula, por sua vez, reconheceu ​que o resultado deste domingo foi inesperado, mas disse que o segundo turno é um novo jogo na campanha. Ele aproveitou ainda para criticar o adversário no segundo turno.

'O resultado muitas ​vezes é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Eu confesso para vocês que eu ‌estava convencido que ia ganhar as eleições no ​primeiro turno', ⁠disse o presidente.

'Mas a gente tem o segundo turno e o segundo turno é a hora da prova dos nove. É a hora da gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil, de hoje e do Brasil que a gente quer. Então, a partir de amanhã a gente começa uma nova campanha, uma campanha apenas entre dois candidatos em que a gente vai mostrar a diferença entre as propostas que existem para o ​Brasil', acrescentou.

'Do outro lado nós temos apenas incerteza com a biografia de um passado tenebroso. Não existe nada que possa vislumbrar um horizonte promissor para a sociedade brasileira. Não há biografia do pai, não há biografia do filho e não sabemos se haverá biografia de outros parentes.'

VOTO ÚTIL E DE PROTESTO

Embora tenham apontado um crescimento de Flávio na reta final da campanha, nenhum dos principais institutos de pesquisa, como Quaest e Datafolha, colocavam na véspera do pleito o senador à frente do petista no primeiro turno.

As pesquisas, no entanto, vinham apontando um movimento de voto útil em favor de Flávio, com a diminuição nas intenções de voto ​de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) e um crescimento do senador.

'Essa migração antecipada significa que haverá uma margem menor de ganhos para o Flávio Bolsonaro entre o primeiro e segundo turno', ponderou o analista político Rafael Favetti, da Fatto Inteligência Política.

Além do voto útil, na avaliação do cientista político Carlos Melo, do Insper, o que apareceu nas urnas neste domingo também foi uma demonstração de cansaço com a política.

'O que a gente vê não é só voto útil. Eu acho que tem um voto de protesto. É um voto que se amarrou na antipolítica. É um retrocesso para o país, no sentido de se olhar para frente, porque isso não resulta em projetos. Mas foi isso que saiu das urnas', disse.

O resultado eleitoral deste domingo coloca fim a uma campanha de primeiro turno marcada por polêmicas envolvendo desde o Judiciário até a padroeira do Brasil, passando por denúncias generalizadas de corrupção e temores de interferência externa. O primeiro turno também chegou ao fim sem que Flávio ​e Lula tenham se enfrentado diretamente em um debate, o que não se sabe ainda se acontecerá na campanha de segundo turno.

Os números oficiais da apuração do TSE também devem animar os mercados financeiros na segunda-feira, de ‌acordo com analistas. Agentes do mercado financeiro são críticos da política fiscal de ⁠Lula e veem na possível eleição de Flávio uma possibilidade de maior controle das contas públicas.

'Movimento dos últimos dias (no mercado) deve continuar, com alta do Ibovespa, apreciação do real e queda das taxas de juros de mercado', disse Fernando Siqueira, head de research da Eleven.

Além de ficar na segunda posição neste domingo, Lula ainda viu algumas de suas apostas nesta eleição naufragarem nas urnas, casos de suas ⁠ex-ministras Simone Tebet, Marina Silva e Gleisi Hoffmann, que foram derrotadas nas disputas ao Senado.

Caso consiga virar o resultado no dia 25, ⁠Lula já sabe que terá pela frente um Congresso mais hostil que o atual. Vários nomes ⁠do núcleo mais combativo do bolsonarismo foram eleitos ⁠para ​o Senado e o PL, partido de Flávio e do ex-presidente, irá emergir das urnas neste domingo como a maior força do Legislativo.

(Reportagem adicional de Luciana Magalhães, em São PauloEdição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)

Reuters

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