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Forças dos EUA saem do Iraque após duas décadas, abrindo espaço para Irã

Forças dos EUA saem do Iraque após duas décadas, abrindo espaço para Irã

Reuters

29/09/2026

Placeholder - loading - Veículos em uma rua em Falluja, no Iraque 27 de setembro de 2026 REUTERS/Thaier Al-Sudani
Veículos em uma rua em Falluja, no Iraque 27 de setembro de 2026 REUTERS/Thaier Al-Sudani

Por Ahmed Rasheed

BAGDÁ, 29 Set (Reuters) - As forças dos Estados ​Unidos devem se retirar de suas últimas bases no Iraque até quarta-feira, uma saída comemorada como uma vitória pelo Irã e seus aliados, que agora exercem profunda influência no país onde 4.500 norte-americanos perderam a vida durante mais de duas décadas de guerra.

Especialistas em segurança iraquianos afirmam que a retirada — acordada em 2024 durante o governo do presidente norte-americano, Joe Biden, e executada pelo governo de Donald Trump, mesmo enquanto este trava uma guerra contra o Irã — poderia dar carta branca a Teerã e seus poderosos aliados, ao mesmo tempo em que permitiria que outros inimigos dos EUA voltassem à cena, incluindo o Estado Islâmico.

“O Irã ⁠deve se ⁠beneficiar estrategicamente da saída da coalizão, pois ​ela remove ‌uma presença militar que, durante anos, atuou como contrapeso à influência de Teerã no Iraque”, disse Jasim al-Bahadli, analista de segurança iraquiano especializado no estudo de grupos armados xiitas alinhados ao Irã.

Ele previu que os grupos milicianos pró-iranianos não apenas apresentariam a saída como uma vitória para seu ⁠movimento, mas também “buscariam transformar esse impulso em maior influência sobre as decisões políticas ​e de segurança”.

Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque — um grupo que reúne facções ​armadas apoiadas pelo Irã —, descreveu a retirada dos EUA como “uma ‌vitória histórica para os grupos ​de ⁠resistência islâmica iraquianos e para os iraquianos honrados, e uma derrota esmagadora para o projeto americano”.

“Em 30 de setembro, celebraremos o fim de uma página negra na história do Iraque e o fracasso da ocupação em impor ​sua vontade ao nosso país”, disse ele à Reuters. “O Iraque provou que sua soberania não pode ser garantida por forças estrangeiras, mas pela resistência e pela vontade de seu povo.”

Embora a eventual saída das forças norte-americanas seja amplamente popular entre os iraquianos, aqueles que se preocupam com a força dos grupos ​apoiados pelo Irã temem que a retirada seja prematura.

“Acreditamos que o Iraque ainda não esteja totalmente pronto para assumir a responsabilidade pela segurança neste momento”, disse à Reuters Abdulrahman al-Zobaie, líder tribal sunita em Fallujah, que já foi um bastião da resistência antiamericana.

“Todos os iraquianos aspiram à soberania plena, e nenhum iraquiano contestaria isso. Mas acredito que a saída da (coalizão liderada pelos EUA) dessa forma, criando um vácuo, é o que todos os iraquianos temem.”

As forças dos EUA invadiram o Iraque em 2003 para derrubar o ditador sunita ​Saddam Hussein e, em seguida, ocuparam o país, instalaram um governo liderado por xiitas e travaram uma guerra ‌de contra-insurgência que durou anos antes de se ⁠retirarem no final de 2011.

Elas retornaram menos de três anos depois para ajudar as forças iraquianas a derrotar o grupo militante sunita Estado Islâmico em uma grande guerra que durou de 2014 a ⁠2017.

O número de norte-americanos mortos na “Operação Liberdade do Iraque” foi cerca ⁠de duas vezes maior do que na guerra paralela ⁠no Afeganistão, que terminou ⁠com ​uma retirada abrupta dos EUA em 2021.

(Reportagem adicional de Maher Nazeh, Kawa Omar, Muayad Hameed e Elwely Elwelly)

Reuters

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